A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmou que a queda nas transações por Pix não pode ser atribuída automaticamente à proibição do mercado regulado de apostas. Para a entidade, os dados mostram uma redução anterior à medida e aumento do valor financeiro movimentado em uma comparação entre períodos equivalentes.
A análise da ANJL, baseada em informações do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) do Banco Central (BC), compara o quarto sábado de agosto e os dois dias seguintes com o quarto sábado de setembro e os respectivos domingo e segunda-feira. Nesse recorte, a quantidade de transações caiu de 627,6 milhões para 608,6 milhões, redução de 3,0%.
O valor total movimentado, porém, subiu de R$ 177,1 bilhões para R$ 183,7 bilhões, alta de 3,7%. "Os números mostram, portanto, que houve menos transações, mas não menos dinheiro circulando pelo sistema", afirmou o presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge.
Queda começou antes da medida
Segundo a associação, entre 22 e 24 de setembro a quantidade de transações via Pix já estava aproximadamente entre 7% e 12% abaixo da referência. Em valores movimentados, a redução variava entre 14% e 27%. A MP que proibiu o mercado regulado de apostas de quota fixa foi anunciada em 25 de setembro.
O BC informou que as movimentações recuaram 10% nos três dias posteriores à edição da MP, em 26,27 e 28 de setembro, na comparação com a média dos mesmos dias nas quatro semanas anteriores.
A ANJL disse que essa metodologia pode não eliminar diferenças no comportamento do Pix entre os períodos analisados. A entidade também afirmou que a proximidade do fim do mês pode influenciar os pagamentos, já que o Pix é uma modalidade à vista.
Entidade contesta migração para o mercado regulado
A associação rebateu a declaração feita na sexta-feira (2) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que a movimentação das bets teria passado de R$ 600 milhões por dia para zero uma semana após a proibição.
Para a ANJL, houve um "aumento significativo" dos sites ilegais de apostas. "A movimentação apenas migrou para o mercado clandestino", sustentou a entidade.
Plínio Lemos Jorge disse que a diferença entre a redução de 10% divulgada pelo BC e a queda de 3,0% encontrada na comparação entre períodos equivalentes pode estar ligada à metodologia. Para ele, os dados disponíveis não permitem relacionar diretamente a variação das transações à proibição do mercado regulado.




