O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) colocou o agronegócio entre as principais bandeiras de sua campanha e apresentou propostas para ampliar a produção, o seguro rural e o financiamento do setor.
Cury defende dobrar a produção brasileira de alimentos em oito a dez anos, dos atuais 350 milhões para 700 milhões de toneladas. Para isso, propõe atrair capital estrangeiro, oferecer crédito em dólar com juros de 4% a 6% ao ano, fortalecer a Embrapa e o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e criar 10 mil agroindústrias.
O candidato também quer elevar a cobertura do seguro rural, hoje de no máximo 3%, para uma faixa entre 30% e 50%. Na avaliação dele, a atividade é exposta a riscos climáticos, de preços, de insumos, geopolíticos e cambiais.
A meta de produção exigiria crescimento anual acima do ritmo registrado nas últimas duas décadas. A safra brasileira de grãos avançou, em média, 5,8% ao ano nesse período. Para dobrar o volume em dez anos, seria necessário crescer 7,2% ao ano; em oito anos, 9,1%.
Entre os planos para o campo, Cury cita a criação de pelo menos 100 usinas de etanol de milho e a transformação de unidades de cana em estruturas híbridas, capazes de processar milho durante períodos de ociosidade. Ele também propõe uma Secretaria de Bioenergia no Ministério da Agricultura e um Ministério da Energia Renovável, que poderia ficar dentro do Ministério da Indústria.
O candidato afirma que o país deve processar mais matérias-primas e exportar produtos acabados. As 10 mil agroindústrias seriam principalmente de pequeno porte, com participação de empresas médias e grandes. A produção de etanol geraria DDGs, com aproximadamente 30% de proteína, para uso na avicultura, na suinocultura e na bovinocultura.
Para o semiárido, Cury propõe desenvolver fruticultura, horticultura, agroindústria e produção de proteína animal. A ideia é transformar 12% da região, com apoio de tecnologias de Israel e da China. Ele também defende ampliar as exportações brasileiras de frutas de US$ 1,2 bilhão a US$ 1,5 bilhão para pelo menos US$ 10 bilhões.
Na área financeira, o candidato afirma que o Brasil poderia receber pelo menos US$ 200 bilhões por ano de fundos soberanos estrangeiros, com proteção em dólar e segurança jurídica. Ele citou um déficit de R$ 92,2 bilhões neste ano e R$ 1,14 trilhão no ano passado para rolar a dívida federal.
Cury classificou a situação dos produtores como uma crise sem precedentes e disse que a agricultura vive um caos. Também afirmou que empresas de insumos, máquinas e produtos ligados ao setor estão entrando em recuperação judicial, afetando a cadeia do agronegócio.



