São Paulo, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Procurador-geral da Bolívia é detido em operação contra autoridades

Roger Mariaca foi preso em Santa Cruz após ter o visto revogado pelos Estados Unidos por acusações de corrupção e narcotráfico.

Procurador-geral da Bolívia é detido em operação contra autoridades

O procurador-geral do Estado da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso na noite desta quarta-feira (30/09) no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz. Ele estava acompanhado do procurador departamental de Santa Cruz, Alberto Zeballos, que também foi detido.

Os dois tiveram os vistos revogados pelos Estados Unidos sob acusações de corrupção e narcotráfico. A Procuradoria-Geral da Bolívia classificou a prisão de Mariaca como “sequestro” e afirmou que desconhecia os fundamentos da detenção. Funcionários da instituição fizeram uma transmissão ao vivo para denunciar a operação e a violação de direitos humanos.

A ação incluiu buscas em instalações do Ministério Público em Sucre e Santa Cruz e na residência de Mariaca, na zona norte de Santa Cruz. O ex-ministro do Governo Eduardo del Castillo foi interceptado por policiais em Sopocachi, em La Paz. Também foram noticiadas prisões de integrantes do Ministério Público e de agentes policiais.

Os promotores foram levados para El Alto para responder por supostos vínculos com o tráfico de drogas. Luis Montaño assumiu como procurador-geral interino da Bolívia, no lugar de Mariaca. Mabel Andrade foi nomeada procuradora departamental interina, substituindo Zeballos.

Sanções e investigações

Na segunda-feira (28/09), Mariaca negou as acusações feitas pelos Estados Unidos e denunciou interferência estrangeira nas investigações do Ministério Público boliviano. Ao falar sobre o caso do consultor político argentino Fernando Cerimedo, ligado ao presidente argentino Javier Milei, disse que não recuaria “nem um centímetro”.

Cerimedo é investigado pela Justiça boliviana por suposta tentativa de feminicídio e lavagem de dinheiro. O caso também envolve possíveis conexões políticas e financeiras.

A medida de Washington atingiu 13 funcionários e ex-funcionários da Bolívia. O presidente do Senado, Diego Ávila, e o presidente da Câmara dos Deputados, Roberto Castro, pediram ao Ministério das Relações Exteriores que solicitasse informações ao Departamento de Estado norte-americano. Para Ávila, “uma acusação não é uma sentença e nenhum cidadão pode ser condenado sem provas”.

A operação ocorreu após a divulgação de gravações do narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, capturado em março na Bolívia. Ele acusou Mariaca e del Castillo de manter relações com sua organização. Em uma das gravações, disse que o procurador era seu “amigo” e que lhe avisava o que deveria saber. Em outra, afirmou ter pago US$ 500 mil para obter proteção e permanecer no país.

As declarações são acusações de Marset e não comprovam, por si só, os fatos atribuídos às autoridades. O Ministério Público boliviano havia rejeitado, no dia da prisão, a informação de que Mariaca teria se reunido com Marset antes da extradição do uruguaio para os Estados Unidos. A instituição afirmou que a acusação não correspondia à verdade e pediu provas.

Marset estava foragido desde 2023. Durante a gestão de Mariaca, o Ministério Público mantinha processos contra ele e investigava crimes como tráfico de armas, organização criminosa e associação criminosa.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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