O Kremlin afirmou que a Rússia poderá usar todo o seu arsenal, incluindo armas nucleares, caso países da OTAN tentem bloquear ou isolar Kaliningrado do restante do país. A declaração foi feita pela Embaixada da Rússia na Irlanda e repercutida nesta quarta-feira (30/09) pelo porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov.
A embaixada irlandesa publicou o alerta na terça-feira (29/09), em meio a informações de que a aliança militar estaria se preparando para um bloqueio aéreo e marítimo da região. O comunicado afirmou que a Rússia está pronta para defender seu território diante de uma tentativa de isolamento.
A missão diplomática também declarou que a União Europeia e a OTAN ampliaram a atividade militar na fronteira ocidental russa, com exercícios de segurança e iniciativas de “dissuasão avançada”. Segundo a embaixada, essas ações incluem o destacamento de armas nucleares francesas perto das fronteiras da Rússia.
As embaixadas russas no Reino Unido e na Bélgica reforçaram a advertência. A representação britânica disse que os defensores de um bloqueio não devem ter ilusões sobre as consequências. Já a embaixada na Bélgica afirmou, em 28 de setembro, observar um aumento sem precedentes na atividade militar da OTAN perto das fronteiras ocidentais russas e disse que Moscou tem meios para responder a uma possível agressão.
A OTAN rejeitou a avaliação russa e afirmou que seus exercícios e atividades não representam ameaça ao território da Rússia. A aliança também pediu o fim do que classificou como retórica nuclear irresponsável.
Peskov chamou de “ultrajantes” as declarações de países ocidentais sobre Kaliningrado. Ele citou falas da Polônia e de outros países europeus e disse que os diplomatas russos buscam lembrar as posições oficiais de Moscou sobre a região.
O porta-voz mencionou ainda o ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radosław Sikorski, que em 11 de setembro defendeu exercícios militares “agressivos” da OTAN perto de Kaliningrado. A proposta, segundo Sikorski, teria como objetivo pressionar a Rússia a deslocar tropas da Ucrânia para a região.




