A sucessão de Jair Bolsonaro é apresentada em dois cenários: uma vitória de Flávio consolidaria a família como uma dinastia política; uma derrota poderia marcar o fim da Era Bolsonaro e abrir espaço para uma direita mais moderada, como Tarcísio de Freitas.
A reportagem de capa publicada neste sábado, 26, descreve conflitos entre Michelle Bolsonaro e os filhos de Jair, além das diferenças de perfil entre os integrantes da família. O ponto de partida é um vídeo de Michelle que expôs uma disputa interna com Flávio e, segundo o texto, revelou uma divisão no núcleo político do grupo.
Flávio é apontado como o escolhido para preservar a influência da família. O texto afirma que, faltando pouco mais de uma semana para a votação, ele ganhou confiança durante a campanha. Em caso de vitória, pressionaria o Congresso por uma anistia ampla aos condenados pelo 8 de Janeiro e aos envolvidos na conspiração golpista. Jair poderia tentar voltar à corrida presidencial em 2030, embora idade e saúde sejam citadas como obstáculos.
No cenário de derrota, a publicação menciona Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, como nome de uma direita mais moderada. A ausência de um sucessor óbvio de Luiz Inácio Lula da Silva também é relacionada à possibilidade de encerramento de uma década de polarização política daqui a quatro anos.
Perfis da família
Jair é descrito como a figura central de um movimento conservador populista com tons religiosos. A reportagem relembra sua condenação por conspirar para permanecer ilegalmente no cargo, com planos que incluíam assassinar Lula, e cita a atuação de Alexandre de Moraes no julgamento.
Flávio aparece como o filho mais moderado e mais normal, enquanto Carlos é apresentado como o integrante de presença combativa nas redes sociais. Eduardo, que vive no Texas desde 2025, é descrito como o filho mais parecido com o pai em estilo e está fora da sucessão por correr risco de prisão caso retorne ao Brasil.
Michelle é retratada como cristã devota e como uma figura importante durante o mandato presidencial. A relação dela com Flávio e Eduardo é descrita como fria, mas civilizada; Carlos, segundo uma fonte não identificada, não teria mais contato com a madrasta.
A reportagem também cita uma controvérsia envolvendo Flávio em 2026: o projeto de filme sobre Jair, “Dark Horse”, recebeu ao menos 12,3 milhões de dólares de um empresário preso. O texto afirma ainda que Eduardo e Flávio não responderam aos pedidos de comentário, que Carlos e Jair Renan não foram localizados e que Michelle se recusou a comentar.




