O ministro André Mendonça homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de delação premiada de Antonio Carlos Freixo Junior, empresário investigado no caso do Banco Master. Dono da Entre Investimentos, ele afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que movimentou mais de R$ 1,3 bilhão para Daniel Vorcaro entre 2020 e 2025.
Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, foi alvo da Operação Compliance Zero, que apura fraudes no sistema financeiro a partir do Banco Master. Em agosto, após quatro meses de negociação, ele fechou o acordo com a PGR.
Pagamentos ligados ao filme
Na colaboração, o empresário descreveu transferências para o fundo de investimentos Havengate, nos Estados Unidos. A Polícia Federal investiga se os valores foram usados para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Essa possibilidade é sustentada pelo senador Flávio Bolsonaro e pela produtora da obra.
Freixo Junior informou ter feito sete repasses ao fundo entre janeiro e setembro de 2025. Os pagamentos somaram mais de US$ 12 milhões, equivalentes a quase R$ 63 milhões à época. Segundo o empresário, Vorcaro havia combinado transferências adicionais de US$ 24 milhões, divididas em dez cotas até janeiro de 2026. Os repasses restantes não ocorreram. Vorcaro foi preso em novembro de 2025.
O empresário entregou à PGR comprovantes das transferências e e-mails trocados com Paulo Calixto, responsável pelo fundo Havengate e advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. A PF apura se parte dos recursos financiou a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Freixo Junior também relatou pagamentos de despesas no exterior, determinados por Vorcaro, por meio da Entre Investments and Arbitrage, sediada nas Bahamas. A polícia investiga se esses recursos foram destinados ao Havengate ou a pessoas ligadas ao fundo.
Com a homologação pelo Supremo, a PGR deverá colher novos depoimentos, examinar os documentos entregues e definir as próximas etapas da investigação.



