SÃO PAULO — A perspectiva de uma disputa presidencial equilibrada entre Lula e Flávio Bolsonaro tem levado investidores a buscar ativos de proteção e maior diversificação das carteiras. Analistas recomendam títulos públicos e CDBs na renda fixa, além de ações de serviços públicos e empresas de commodities na renda variável, para reduzir a exposição às oscilações do período eleitoral.
Na renda fixa, a preferência recai sobre investimentos atrelados à Selic ou ao CDI. João Ferreira, sócio da One Investimentos, afirma que esses ativos acompanham mais diretamente os índices de referência e sofrem menos com a variação das expectativas para os juros futuros.
Para a renda variável, Ferreira cita empresas de saneamento e energia, cujas receitas costumam ser indexadas à inflação, e companhias da construção voltadas à baixa renda e relacionadas ao Minha Casa, Minha Vida. Segundo ele, esses negócios podem oferecer fluxo de caixa mais previsível ou depender menos dos juros.
O BTG afirma, em relatório baseado em conversas com gestores, que a eleição deve ser competitiva e que os investidores mantêm níveis de risco relativamente controlados. As ações da Petrobras são tratadas como ativos de consenso, independentemente do resultado das urnas. Em 2026, os papéis subiram com a alta do petróleo.
O banco também aponta que uma leitura positiva do resultado eleitoral poderia favorecer ações de B3, XP, BTG Pactual, Rede D’Or, Cyrela, Petrobras e Motiva. O Citibank projetou carteiras para os dois cenários. Em um eventual governo Lula, destacou Cury Construtora, Embraer, WEG e BTG Pactual. Para uma vitória de Flávio, citou Cyrela, Assaí, Hapvida, Petrobras, Vale e B3.
A corrida eleitoral coincide com uma mudança no desempenho dos mercados. Em agosto, a Bolsa caiu 0,32% e o dólar subiu 2,21%. Em setembro, o Ibovespa avançou 6,4%, enquanto o dólar recuou 0,25%.
Dados da B3 mostram que os investidores estrangeiros registraram saldo positivo de R$ 9,6 bilhões em setembro até o dia 22, depois de uma saída de R$ 18,1 bilhões em agosto. No ano, o saldo acumulado é positivo em R$ 32,6 bilhões.
No Datafolha de 21 de agosto, Lula tinha 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. No levantamento de 24 de setembro, os percentuais eram de 40% e 36%, respectivamente. A diferença ficou dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Ainda há incerteza sobre a condução econômica dos candidatos. Flávio Bolsonaro defende ajuste fiscal sem mudanças na Previdência ou na política de valorização do salário mínimo. O governo Lula propõe desacelerar o crescimento dos gastos obrigatórios e aprimorar o arcabouço fiscal. A XP afirma que a maior dispersão dos ativos tende a ocorrer após a eleição, com a definição da equipe econômica, das políticas e dos primeiros sinais sobre os gastos públicos.




