São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Mercado em tempo real
Política

Lula e Flávio usam denúncia e esperança em propagandas de TV, dizem críticos

Análise aponta estruturas semelhantes nas campanhas, com abertura documental, virada colorida e narrativa de trajetória pessoal.

Lula e Flávio usam denúncia e esperança em propagandas de TV, dizem críticos

As propagandas de televisão de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) adotam estruturas semelhantes, apesar da oposição entre os dois no espectro político. A avaliação é dos críticos de cinema Thiago Guimarães e Natália Bocanera, que analisaram os programas eleitorais dos candidatos à Presidência.

Os dois vídeos começam com uma estética fria e acinzentada, associada a uma denúncia. Lula apresenta vídeos e áudios para afirmar que Flávio mente e está envolvido em acusações no caso Master. Flávio mostra lojas fechadas, geladeiras vazias e pessoas com dificuldades financeiras, atribuindo a situação ao governo Lula.

“Num contexto de crise de credibilidade generalizada, as candidaturas vão usar a estética documental e jornalística para transmitir credibilidade”, afirmou Guimarães.

Depois da introdução, as peças mudam para uma estética colorida, com melodrama e trilhas esperançosas. Na avaliação dos críticos, esse contraste pode fazer com que os trechos iniciais sejam interpretados como reportagem ou docudrama quando circulam isoladamente nas redes sociais e em plataformas diferentes.

Trajetórias e dramatização

Na segunda parte, Lula e Flávio constroem versões de uma cinebiografia, em uma narrativa próxima à jornada do herói. Lula aparece como “só mais um Silva”, nascido no sertão e migrado para São Paulo. Flávio é apresentado como um jovem político preocupado com a economia e defensor de mais dinheiro nas mãos da população.

A campanha de Lula usa uma trilha com tímpanos, trompas e violinos, associada por Bocanera a filmes de guerra, como “O Resgate do Soldado Ryan”. Já Flávio recorre a cenas dramatizadas para mostrar pobreza e endividamento, incluindo uma mãe e uma filha que precisam devolver um biscoito no mercado porque o salário não é suficiente para a compra.

Guimarães classificou a cena como próxima da linguagem das novelas. Ele também criticou o segmento criado por inteligência artificial que retrata uma favela, considerando a imagem plástica, polida e artificial.

Ronaldo Caiado inicia seu programa com um pôr do sol em uma fazenda. Em contraluz e com enquadramento de baixo para cima, é apresentado como uma figura imponente e heroica. Augusto Cury, por sua vez, aparece sentado em uma poltrona diante de imagens de caos e destruição projetadas com chroma-key.

A construção de Cury foi comparada por Bocanera a um pesadelo de David Lynch. Guimarães associou a peça a “Tropa de Elite”, de José Padilha, pela representação de um país em desordem que precisaria ser colocado em ordem.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

NewsletterCinco leituras por manhã.