BRASÍLIA — Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicam que Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central, convidou o ex-banqueiro para um encontro na casa que mantinha em Porto Feliz, no interior de São Paulo.
A primeira mensagem foi enviada por Vorcaro a Campos Neto em 21 de novembro de 2023. O dono do Master propôs uma conversa presencial e rápida para apresentar o trabalho desenvolvido pelo banco e suas perspectivas. Ele disse que estaria em Brasília no dia seguinte e que retornaria quando houvesse disponibilidade na agenda de Campos Neto.
Ainda naquela data, uma assistente do então presidente do BC procurou Vorcaro para tentar marcar a reunião. Em 20 de dezembro de 2023, Campos Neto ofereceu um encontro dali a dois dias, presencialmente ou por vídeo. Como alternativa, sugeriu que os dois se encontrassem na semana seguinte na Fazenda Boa Vista, onde tem casa e estaria com a família.
Vorcaro aceitou a data, e Campos Neto afirmou que enviaria o endereço. Na véspera, confirmou o convite e acrescentou que morava no mesmo condomínio de um diretor da XP.
O encontro acabou cancelado na data marcada. Campos Neto disse que sua casa havia sido dedetizada e pediu que a reunião fosse realizada no endereço do Banco Central na avenida Paulista, em São Paulo.
A defesa de Vorcaro não quis se manifestar. A assessoria de Campos Neto foi acionada por WhatsApp às 19h50 e não respondeu até a publicação do texto.
A conversa seguinte registrada entre os dois ocorreu em 12 de março de 2024, quando Campos Neto enviou uma imagem que não foi recuperada. Vorcaro respondeu: “Merecido! Parabéns!”. No dia seguinte, Campos Neto agradeceu: “Muito obrigado, Daniel. Um grande abraço e sucesso”. Na data, o Banco Central havia sido eleito o banco central do ano no Central Banking Awards 2024.
Em outubro de 2019, durante a gestão de Campos Neto, o Banco Central aprovou a transferência do controle do Banco Máxima para Vorcaro. Oito meses antes, na presidência de Ilan Goldfajn, a autoridade monetária havia rejeitado a operação. As duas decisões foram tomadas por unanimidade pela diretoria colegiada.
Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana são suspeitos de defender os interesses de Vorcaro no BC em troca de propina. Os dois negam ter recebido valores ou vantagens.




