São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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STF entra no centro da eleição e amplia tensão com o TSE

Caso Banco Master expõe divisões no Supremo, que passou a ser alvo das campanhas e interferiu em decisões da Justiça Eleitoral.

STF entra no centro da eleição e amplia tensão com o TSE

A três dias do primeiro turno, o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ocupar uma posição inédita na eleição de 2026. Além de julgar conflitos e conduzir investigações envolvendo personagens da disputa, a Corte e seus ministros viraram alvo direto das campanhas de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

O caso Banco Master foi o principal ponto de tensão. As mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, divulgadas depois que André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal no dia 1º, acirraram o conflito interno. Moraes pediu investigação contra Mendonça e afirmou que o colega atuava para favorecer o grupo de Flávio Bolsonaro.

Em 15 de setembro, o plenário do STF discutiu a possibilidade de abrir uma investigação contra um de seus próprios integrantes. O material apreendido no celular de Vorcaro também mencionou Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, ampliando o alcance da crise dentro do tribunal.

“É inédita a maneira pela qual o Supremo passou a fazer parte dessa eleição”, afirmou o pesquisador e professor do Insper Diego Werneck Arguelhes. Flávio levou o conflito para sua propaganda na televisão e associou Moraes ao governo Lula. O presidente, por sua vez, procurou se afastar do tribunal e defendeu mudanças no Judiciário.

Disputa com a Justiça Eleitoral

A tensão avançou sobre a relação entre STF e Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido por Nunes Marques e com Mendonça na vice-presidência. Decisões de ministros do Supremo suspenderam ou restabeleceram medidas relacionadas a publicações que associavam Flávio à suposta retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

Mendonça havia determinado a retirada dos posts. Flávio Dino suspendeu a decisão do TSE, mas Luiz Fux restabeleceu seus efeitos. Nunes Marques reagiu com uma reclamação ao presidente do STF, Edson Fachin, e questionou uma “sobreposição de competência” do Supremo sobre a Justiça Eleitoral.

Nesta quarta-feira, 30, o plenário virtual do TSE analisou a decisão de Mendonça, e a maioria votou pela exclusão de parte das publicações que ligavam Flávio à retirada do título de padroeira.

Para Ana Laura Barbosa, professora da FGV-SP e do Insper, o ponto inédito está na interferência e no impacto dela sobre a relação entre as duas Cortes. O episódio, segundo ela, também envolve decisões monocráticas, dúvidas sobre a distribuição dos processos e medidas com efeitos políticos imediatos.

Desgaste e próximos movimentos

A exposição dos ministros e o conflito entre STF e TSE passaram a afetar a percepção de imparcialidade da Corte. Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostrou que 47% dos entrevistados avaliavam o STF como ruim ou péssimo, maior percentual da série histórica iniciada em 2019. Outros 68% disseram acreditar que há ministros envolvidos no caso Master.

A eleição também poderá mudar a composição do Supremo. Até 2030, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes devem se aposentar, abrindo ao próximo presidente a possibilidade de indicar três ministros. O número pode chegar a quatro caso continue sem titular a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, após a rejeição de Jorge Messias pelo Senado.

Para Marcelo Crespo, coordenador de Direito da ESPM-SP, o conflito não termina com a campanha. A avaliação é que decisões futuras podem enfrentar maior resistência se determinados ministros forem percebidos como ligados a grupos políticos. “A consequência institucional mais delicada é a erosão do ‘capital de imparcialidade’”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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