São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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PF aponta viagens internacionais pagas por Vorcaro a servidores do Banco Central

Relatórios enviados ao STF dizem que ex-banqueiro custeou despesas de servidores ligados ao Banco Master em Paris e na Disney.

PF aponta viagens internacionais pagas por Vorcaro a servidores do Banco Central

Relatórios da Polícia Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal afirmam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pagou viagens e jantares internacionais para Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, servidores do Banco Central acusados de atuar em favor do Banco Master.

Segundo a investigação, Vorcaro teria organizado parte da viagem de Belline e da esposa para Paris. Mensagens analisadas pela PF indicam que ele tratou com prestadores de serviço no exterior sobre reservas, recepção e logística, além de encaminhar o contato do servidor para concluir a programação.

O ex-banqueiro também orientou que fossem reservados um jantar no restaurante Lapérouse e um almoço no Loulou. Para a PF, a indicação de vinhos e pratos de maior preço sugere que Vorcaro pagaria os eventos. Belline e a mulher viajaram para Paris no período mencionado nas mensagens, mas o relatório não informa outras despesas custeadas nem os valores.

A defesa de Paulo Sérgio afirmou que ele pagou integralmente passagens, hospedagem, ingressos, compra de moeda estrangeira e despesas feitas com cartões durante a viagem com a família. Os advogados disseram que a origem dos recursos pode ser comprovada por documentos.

A defesa também afirmou que a viagem estava planejada para as férias escolares de janeiro e fevereiro de 2024. Segundo essa versão, Vorcaro ofereceu a Paulo Sérgio, no dia do embarque, uma vaga remanescente em um pacote de acesso prioritário aos parques da Disney e da Universal. O servidor teria aceitado mediante pagamento de US$ 8.000 em espécie, nos Estados Unidos, a uma pessoa indicada pelo ex-banqueiro.

Os advogados disseram ainda que Paulo Sérgio desconhecia eventual pagamento de US$ 38 mil feito por Vorcaro ao agente de viagens Leonardo Giunchetti e que não participou, autorizou nem presenciou essa transação. A defesa de Belline foi procurada, mas não respondeu até a publicação.

A PF afirma que Belline receberia R$ 500 mil por mês do Banco Master. Documentos anexados ao processo mostram repasses que somam R$ 3,8 milhões. A polícia relaciona os pagamentos à atuação em favor do banco; o servidor e os responsáveis pelos repasses dizem que os recursos eram destinados a um programa de treinamento financeiro de jovens.

O advogado de Belline, Leonardo Palazzi, afirmou que o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, confirmou a atuação funcional e institucional do cliente. A defesa negou que Vorcaro tivesse exercido influência sobre Belline.

Documentos liberados

Nesta quinta (10), o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte dos documentos sobre o Banco Master, seguindo determinação do presidente do STF, ministro Edson Fachin. A medida foi tomada para organizar a sessão prevista para a próxima terça (15), quando o plenário deve analisar o relatório da PF e o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o documento.

No caso de Paulo Sérgio, a PF diz ter identificado elementos que apontam para o custeio da viagem à Disney para ele e a família, com base em diálogos nos quais o servidor encaminha a Vorcaro um roteiro de passeios.

A polícia afirma que os dois servidores atuaram de forma recorrente na defesa e na promoção de interesses privados de Vorcaro. O relatório menciona orientação técnica, revisão de documentos destinados ao próprio Banco Central, repasse de informações internas e participação em reuniões extraoficiais para alinhar estratégias relacionadas ao conglomerado Master.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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