BRASÍLIA — Documentos do caso Banco Master, cujo sigilo foi retirado, mostram que Flávio Bolsonaro é investigado no inquérito sobre a produção do filme “Dark Horse” e detalham pagamentos feitos por Daniel Vorcaro a servidores do Banco Central.
Na noite desta quinta-feira (10), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou a publicidade do material. Ficaram de fora diligências cujo sigilo seja considerado imprescindível para a realização das medidas ou cuja divulgação possa prejudicar o andamento das apurações.
O relator, ministro André Mendonça, cumpriu a decisão no mesmo dia e retirou o sigilo de 14 procedimentos, além do inquérito principal. O fim do sigilo também foi defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Investigação sobre o filme
Flávio é formalmente investigado desde julho no inquérito que apura a produção de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, que está preso por liderar a tentativa de golpe de Estado. A Polícia Federal investiga a “possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos”.
A suspeita é que parte dos recursos tenha sido usada para bancar a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Flávio teria negociado diretamente com Vorcaro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões, valor equivalente, hoje, a aproximadamente R$ 122,7 milhões. Desse total, no mínimo US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 62,9 milhões, teriam sido pagos.
Relações com o Supremo e o Banco Central
Vorcaro, que está preso, é investigado por comandar o que as apurações consideram a maior fraude financeira do país. Ele mantinha contatos com integrantes do alto escalão da política, incluindo os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Com Moraes, trocou mensagens sobre o inquérito que o envolve, inclusive no dia da prisão. Com Toffoli, mantinha negócios e parcerias comerciais, entre eles um resort.
As investigações também apontam a existência de um grupo chamado “A Turma”, liderado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário. Segundo os documentos, o grupo combinava formas de intimidar pessoas, inclusive jornalistas, e acessava informações confidenciais.
Relatórios da PF enviados ao STF afirmam ainda que Vorcaro pagou viagens e jantares internacionais para dois servidores do Banco Central acusados de atuar em favor do Banco Master. O ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana teria viajado com a esposa para Paris com parte dos custos bancados pelo ex-banqueiro. Vorcaro também teria pago a viagem do ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio Neves de Souza para a Disney, nos Estados Unidos.
A divulgação dos documentos ocorre em meio ao conflito entre Mendonça e Moraes, iniciado após um relatório sobre pessoas próximas a Vorcaro revelar a relação entre o ex-banqueiro e o ministro.




