O debate sobre a crise do Supremo Tribunal Federal nas redes sociais reforça principalmente posições eleitorais já definidas, segundo levantamento da Palver. Entre as mensagens que relacionam o episódio ao voto ou à disputa presidencial, de 37% a 75% confirmam uma escolha anterior, conforme a plataforma analisada.
A parcela de usuários que afirma poder reavaliar o voto varia de 8% a 19%. Para a Palver, “a crise ocupa espaço amplo na conversa e se conecta pouco à decisão eleitoral”. A empresa monitorou conteúdos publicados no Instagram, X, Facebook, TikTok e Youtube, além de mensagens no WhatsApp e no Telegram, entre 8 e 16 de setembro.
A conexão entre a crise e a eleição aparece em apenas 1% a 6% das mensagens relacionadas ao tema. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira, 16, e indica baixa transmissão eleitoral do debate sobre o STF.
O resultado acompanha pesquisa Quaest divulgada nesta semana. Segundo o levantamento, 67% afirmam que a crise no STF não influencia o voto para presidente. Outros 22% dizem que a turbulência institucional reforça a escolha atual, enquanto 7% admitem que poderiam trocar de candidato.
Desgaste concentrado no STF
A sessão de terça-feira do STF produziu “circulação intensa” nas redes sociais. Alexandre de Moraes lidera o desgaste entre os atores criticados: de 62% a 68% dos usuários que atribuem responsabilidade pela crise apontam o ministro.
André Mendonça aparece na sequência, com 31% a 42% das citações entre os responsáveis. As críticas ao STF como instituição variam de 42% a 55% das atribuições de desgaste, acima das registradas para qualquer ministro individualmente, com exceção de Moraes.
Após o início do julgamento, a atribuição de desgaste a Moraes recuou e as manifestações em defesa do ministro aumentaram. Com Mendonça, ocorreu o inverso: houve alta do desgaste e queda acentuada da defesa em todas as redes analisadas. As manifestações de defesa a Edson Fachin também caíram ao longo da terça-feira.
Repercussão do caso Banco Master
A Palver identificou que o debate sobre o caso do Banco Master atinge os dois campos políticos. O desgaste recai sobre a família Bolsonaro e sobre o STF como instituição. Lula e o PT aparecem em patamar inferior, enquanto Banco Central, Senado e Câmara têm atribuição residual.
A associação com a família Bolsonaro é relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, pelo banqueiro Daniel Vorcaro, com intermediação de Flávio Bolsonaro (PL). A ligação com Lula decorre da associação entre Moraes e o campo governista.




