A controvérsia que vinculou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil alcançou 977,6 mil menções em 55 horas e pelo menos 8,5 milhões de interações, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque.
O episódio ficou atrás de “Mendonça vs. Moraes” e “Quebra de sigilo Dark Horse” na comparação feita pelo instituto com os últimos 12 meses. Nas primeiras 24 horas, foram 669,9 mil publicações. O maior ritmo chegou a 38,3 mil menções em uma hora.
Como a controvérsia começou
A discussão ganhou volume na quinta-feira (24), depois de Maria Cristina Fernandes afirmar, no programa “Em Pauta”, da GloboNews, que parte dos evangélicos se mobilizava em torno de um projeto para retirar o título concedido à santa. Na avaliação apresentada por ela, o movimento poderia favorecer o presidente Lula (PT) entre os eleitores católicos.
Horas depois, a GloboNews pediu desculpas e esclareceu que a proposta havia sido apresentada em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli. O projeto foi arquivado em agosto de 2008. Flávio negou ter apoiado qualquer iniciativa com esse objetivo.
A repercussão teve uma primeira alta entre a noite de quinta-feira (24) e a manhã de sexta-feira (25). Além da proposta, impulsionaram o debate as reações de católicos, a negativa do senador e a correção feita pela emissora.
Disputa sobre posts e desinformação
Depois de uma queda na madrugada de sábado (26), as publicações voltaram a crescer pela manhã e atingiram uma segunda onda perto do meio-dia. Nesse intervalo, André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, determinou a retirada de posts que associavam Flávio à perda do título de padroeira.
A decisão levou a discussão para remoção de conteúdo, censura e liberdade de expressão. No mesmo sábado, a campanha do senador solicitou ao Ministério Público Eleitoral a prisão de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Presidência, acusando-o de disseminar desinformação.
O Palácio do Planalto disse que Flávio distorce os fatos e classificou a manifestação de Marques como estritamente pessoal. Em 345 publicações de perfis políticos, o Democracia em Xeque registrou 66% dos posts e 70% das interações para a esquerda; a extrema-direita respondeu por 33% das publicações e 30% das interações.



