O reajuste de 15% do Bolsa Família concentrou o debate nas redes sociais em torno do momento do anúncio e de sua legalidade, segundo levantamento da Palver. As acusações de desespero eleitoral e crime eleitoral reuniram 90% das críticas no TikTok, 92% no Facebook, 86% na imprensa, 76% no Instagram, 72% no X e 68% no Telegram.
A acusação de desespero às vésperas da eleição passou de 7% para 48% no WhatsApp e de 23% para 42% no X. Já a narrativa de crime eleitoral, associada à legislação eleitoral, alcançou 20% no WhatsApp e 38% no X.
O WhatsApp foi a exceção: 36% das críticas acusaram o governo de desespero e crime eleitoral. O restante abordou a ideia de dependência em vez de emprego, ataques a beneficiários e dúvidas sobre a origem dos recursos.
Debate após o decreto
A Palver monitorou mensagens no Instagram, X, Facebook, TikTok e YouTube, além de WhatsApp e Telegram, entre 1º de agosto e 17 de setembro. A ligação entre o reajuste e a eleição apareceu em 64% das mensagens no X, 42% nas plataformas de mensageria e 41% no Instagram.
Antes do decreto, o tema representava menos de 6% das interações sobre o Bolsa Família em todas as redes. Depois da assinatura, passou a ocupar de 43% a 84% das mensagens, conforme a plataforma.
Quatro narrativas se destacaram: informativa, compra de voto, recomposição justa e crítica ao programa. A leitura de compra de voto prevaleceu no X, mas foi minoritária nas demais plataformas. Nelas, predominou o registro informativo. A recomposição inflacionária, defendida pelo governo, ficou em segundo plano, com melhor desempenho no X e no WhatsApp.
A crítica à existência do programa recuou quase a zero após o anúncio. Na mensageria, a visão contrária ao governo caiu de 70% para 63%, movimento atribuído pela Palver ao aumento da defesa do programa, e não à redução dos ataques.
As mensagens sobre o benefício alheio representaram de 97% a 99% do total. A proporção de pessoas falando sobre o próprio benefício ficou abaixo de 2% em todas as redes e chegou a zero em várias. Segundo a Palver, as manifestações de beneficiários foram, em grande parte, reativas, em resposta a ataques anteriores ou relacionadas à experiência com o pagamento.




