O governo de Donald Trump acusou o Brasil de não enfrentar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), apontados pela Casa Branca como responsáveis por transformar o país em um centro do fluxo global de cocaína. A cobrança foi feita em documento enviado ao Congresso americano nesta terça-feira (15).
O relatório anual identifica países considerados grandes produtores ou rotas relevantes de narcotráfico e avalia os esforços de governos estrangeiros contra as drogas. O Brasil não aparece entre os 23 países classificados nessas categorias. Também ficou fora da relação de governos que, segundo Washington, não fizeram esforços suficientes para cumprir compromissos antidrogas.
Apesar disso, o documento faz uma crítica nominal ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. “O governo do Brasil falhou em confrontar” o PCC e o Comando Vermelho, afirma o texto. A Casa Branca também diz que as facções representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacionais e cobra medidas para combater e derrotar os grupos.
A menção ao Brasil não constava do relatório de 2025. A nova crítica ocorre após o secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificar PCC e CV como “Specially Designated Global Terrorists”, em decisão assinada em 28 de maio e publicada no início de junho.
A designação foi precedida por uma reunião de cerca de três horas entre Lula e Trump na Casa Branca, em maio. Poucas semanas depois, Flávio Bolsonaro pediu ao presidente americano que as facções fossem classificadas como organizações terroristas internacionais. A medida foi adotada pelo Departamento de Estado, à qual Lula se opôs.
O documento também elogia governos latino-americanos. Na Venezuela, Trump afirma ter identificado avanços na cooperação com o governo interino de Delcy Rodríguez após a retirada de Nicolás Maduro do poder. O país deixou a lista de governos que falharam de forma demonstrável no combate às drogas, mas continua classificado como rota importante de trânsito ou produção de entorpecentes.
Trump ainda cita positivamente Rodrigo Paz, Abelardo de la Espriella e Keiko Fujimori. Argentina, Equador e El Salvador são descritos como alguns dos principais aliados dos Estados Unidos no hemisfério contra o narcotráfico.


