Ben Davis afirmou que a não renovação de seu contrato com a agência da ONU para a Agricultura e a Alimentação (FAO) está ligada a críticas às políticas de Israel em Gaza e à sua participação em iniciativas sobre a situação humanitária no território.
O funcionário disse à AFP, na quarta-feira (30), que foi informado em julho de que não permaneceria na organização após 26 anos de serviço. A justificativa apresentada foi uma suposta violação das normas de imparcialidade.
Davis relatou que foi responsabilizado pela organização de momentos semanais de silêncio realizados por funcionários da FAO em referência à fome e à inanição em Gaza. “Fui acusado de organizar estes momentos de silêncio sobre a situação de fome e inanição em Gaza”, disse.
Relatório sobre alimentos
A participação de Davis em um relatório publicado em maio também teria sido questionada. O documento tratava da disponibilidade de alimentos em Gaza e do direito internacional humanitário. Segundo ele, houve pressão para retirar o relatório e não fazer referência ao direito humanitário.
Na terça-feira, o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, afirmou, em uma sessão sobre silvicultura gravada em vídeo, que a organização não permitiria que funcionários atuassem no campo dos direitos humanos. Ele também disse ter demitido altos funcionários por atuação política e ameaçou dispensar outros caso agissem contra a lei.
Questionado se entendia que as declarações eram dirigidas a ele, Davis respondeu: “absolutamente”. O funcionário acrescentou que já havia sido repreendido publicamente por ser considerado político demais e disse estar preocupado com a ameaça de novas demissões.
A FAO não respondeu ao pedido de comentários. Davis afirmou que os momentos de silêncio chegaram a reunir centenas de participantes. Atualmente, entre 30 e 40 funcionários participam semanalmente.



