SANTA CRUZ — O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso e passou a ser investigado por organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. A informação foi anunciada pelo governo nesta quinta-feira (1º), após os Estados Unidos cancelarem seu visto por supostos vínculos com organizações criminosas.
Mariaca foi detido pela polícia na noite de quarta-feira em Santa Cruz, no leste do país. Alberto Zeballos, promotor da mesma jurisdição e também sancionado por Washington, foi preso na mesma operação.
O ministro do Interior, Marco Antonio Oviedo, afirmou que uma estrutura criminosa dentro do sistema judiciário foi desmantelada. Segundo ele, a Procuradoria-Geral da Bolívia, sob comando de Mariaca, teria atuado para proteger, incentivar e preservar o narcoterrorismo.
As medidas dos Estados Unidos foram anunciadas na segunda-feira e atingiram, além do procurador-geral, juízes, autoridades e empresários da Bolívia, da Colômbia, do Equador e do Peru. Os alvos foram acusados de corrupção, vínculos com o narcotráfico ou conspiração contra seus governos. No X, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, declarou que a ação boliviana indicava a liderança necessária para tornar o hemisfério mais seguro, forte e próspero.
Dinheiro encontrado em ambulância
Oviedo disse que quatro pessoas tentaram retirar dinheiro da casa de Mariaca em uma ambulância durante a madrugada. A polícia encontrou notas da moeda local e dólares escondidas no veículo, em valor estimado de 300 mil dólares (1,6 milhão de reais), conforme relatório do Ministério do Governo.
A operação levou à prisão de quatro promotores, seis funcionários do Ministério Público e das quatro pessoas localizadas na ambulância. Os promotores permanecem detidos na delegacia e serão levados aos tribunais locais, afirmou Oviedo.
Com a “ausência definitiva” de Mariaca, Luis Montaño Morales, apontado como o promotor mais antigo da instituição, assumiu interinamente o cargo. Mariaca havia sido nomeado em outubro de 2024 pelo Congresso, que fará uma sessão urgente para examinar o caso.
O advogado Romel Ipamo afirmou: “Tudo o que pedimos é que o devido processo legal seja respeitado”.




