A EMS apresentou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) dois pedidos para mudar a tributação de canetas emagrecedoras importadas. A proposta prevê elevar de 7,2% para 15% a alíquota sobre medicamentos chamados agonistas de GLP-1, uma alta de 108%. Uma das solicitações teria validade temporária de 24 meses; a outra depende da aprovação dos demais países do Mercosul.
A medida alcança canetas prontas de semaglutida, como Wegovy, e de liraglutida, princípio ativo do Saxenda. O Mounjaro, feito com tirzepatida, ficou fora dos pedidos. O medicamento tem patente até 2036 e é produzido no Brasil apenas pela Eli Lilly.
A empresa afirma que há diferença entre a tarifa do produto acabado e a aplicada a componentes como o corpo da caneta, a tampa e o fenol, sujeitos a alíquotas de 12% a 18%. Também cita a entrada de medicamentos indianos com “preços significativamente inferiores” e diz que isso pode pressionar companhias que investiram na produção nacional.
Produção e mercado
A EMS lançou uma linha própria com semaglutida depois de apresentar os pedidos à Camex. A farmacêutica informou vendas de R$ 61,3 milhões em canetas em 2025 e de R$ 425,1 milhões em 2026, ano em que lançou o medicamento com a substância.
A empresa diz ter investido mais de R$ 1 bilhão na ampliação da capacidade produtiva e tecnológica, incluindo o desenvolvimento e a fabricação das canetas. Em Hortolândia (SP), mantém uma fábrica de peptídeos sintéticos, usados nesse tipo de medicamento. As primeiras unidades ainda são montadas no Brasil com insumos e componentes importados.
O Ozivy, da EMS, foi registrado pela Anvisa em maio para o controle da diabetes. O produto tem sido vendido fora da bula para obesidade. A Anvisa registrou mais nove medicamentos com semaglutida em 2026.
O Sindusfarma criticou a proposta. Para Nelson Mussolini, presidente-executivo da entidade, “o caminho para fortalecer a indústria local é reduzir o custo de produzir no Brasil, e não aumentar o custo de quem importa”. A Biolab também se posicionou contra a mudança.
A Novo Nordisk afirmou que medidas sobre o ambiente concorrencial devem considerar investimentos, competitividade, abastecimento e acesso dos pacientes. A Sandoz defendeu critérios técnicos, transparentes e não discriminatórios para avaliar tarifas sobre medicamentos acabados.



