Onze diretores da Polícia Federal divulgaram nesta terça-feira (08/09) uma nota de apoio a Andrei Rodrigues, afastado do cargo por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Os diretores também informaram ao diretor-geral substituto, William Marcel Murad, que deixam seus cargos à disposição.
A manifestação ocorreu horas depois do afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada da Costa. O grupo afirmou que pretende defender a instituição de ataques e de tentativas de usurpação de funções, além de preservar sua atuação na promoção da Justiça e na defesa do Estado democrático de Direito.
Os diretores disseram repudiar acusações de que Rodrigues ou a PF tenham atuado de forma não republicana. Para eles, essas acusações não têm fundamento e atingem a história, a credibilidade e o compromisso institucional da corporação. A nota também afirma que narrativas influenciadas por interesses político-eleitorais não apagam a trajetória profissional dos envolvidos.
Disputa entre ministros
O afastamento foi determinado após a divulgação de relatórios sobre Mendonça, encaminhados por Rodrigues a Alexandre de Moraes, também ministro do STF. Mendonça solicitou que a Segunda Turma do Supremo analisasse a decisão ainda nesta terça-feira.
Luiz Fux e Nunes Marques anteciparam votos favoráveis à manutenção do afastamento, formando maioria com o relator. Gilmar Mendes pediu vista, adiando a formalização do resultado final. A Segunda Turma é composta ainda por Dias Toffoli, além de Mendonça, Fux, Gilmar Mendes e Nunes Marques.
A tensão entre os ministros envolve o caso do Banco Master. Segundo as investigações divulgadas por Mendonça, haveria mensagens entre o controlador do banco, Daniel Vorcaro, e Moraes. Nelas, o banqueiro cita o diretor-geral da PF como possível intermediário para reverter investigações que poderiam levar à prisão preventiva de Vorcaro.
Moraes pediu a Edson Fachin, presidente do STF, que investigasse Mendonça. Com base nos relatórios de inteligência solicitados por Rodrigues, Moraes acusou o colega de interferir em negociações de delação premiada, desrespeitar procedimentos de produção de relatórios e direcionar investigações contra ele.
Mendonça afirmou que era monitorado de forma ilícita e sistemática pela inteligência da PF havia mais de um mês. No despacho, disse que Rodrigues enviou a Moraes, no inquérito das Fake News, seis relatórios de inteligência. Os documentos relacionavam Mendonça ao advogado-geral da União, Jorge Messias, em razão da religião evangélica dos dois.
O ministro classificou a alegação como “surreal” e “abjeta” e afirmou que os relatórios não tinham validade por não apresentarem assinatura, timbre e numeração. A decisão também determinou apurações criminal e disciplinar pela corregedoria da PF e proibiu, cautelarmente, a elaboração e a circulação de documentos de inteligência sobre a atuação de magistrados, integrantes da advocacia pública ou agentes responsáveis por investigações policiais.




