São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Revolta dos Marinheiros desafiou Salazar há 90 anos em Lisboa

Insurgentes tomaram três navios de guerra, exigiram a libertação de presos políticos e foram derrotados pelo regime português.

Revolta dos Marinheiros desafiou Salazar há 90 anos em Lisboa

A Revolta dos Marinheiros começou na madrugada de 7 para 8 de setembro de 1936, quando integrantes da Organização Revolucionária da Armada (ORA) tomaram três navios de guerra no estuário do Rio Tejo: o contratorpedeiro “Dão” e os avisos “Afonso de Albuquerque” e “Bartolomeu Dias”. O movimento exigia o fim da perseguição ideológica e a libertação de presos políticos do regime de António de Oliveira Salazar.

A ORA era uma organização clandestina ligada ao Partido Comunista Português (PCP), com células na Marinha de Guerra. Os marinheiros planejavam retirar as embarcações da barra do Tejo, lançar um ultimato ao governo e, se necessário, seguir para Angra do Heroísmo para libertar presos políticos. Também pretendiam colocar os navios à disposição das forças republicanas na Guerra Civil Espanhola.

O levante ocorreu em meio ao avanço do Estado Novo, instituído em 1933 sob a liderança de Salazar. O regime havia proibido a atividade política independente, criado a polícia política e submetido as organizações trabalhistas ao controle corporativo. Jornais, revistas, livros e peças de teatro passaram a ser censurados, enquanto greves e mobilizações eram reprimidas.

Preparação e repressão

A organização atuava desde 1932 com propaganda entre os marinheiros. O boletim “O Marinheiro Vermelho”, com tiragem de até 1.500 exemplares, denunciava abusos na Marinha, os baixos salários, as más condições de vida e a repressão contra militares suspeitos de ligação com a esquerda.

O episódio que acelerou a revolta envolveu o “Afonso de Albuquerque”. Enviado às águas espanholas em agosto de 1936, o navio levava 17 marinheiros que declararam apoio às tropas republicanas. Após o retorno a Lisboa, os militares foram presos e expulsos da Armada.

O governo português, porém, já havia sido alertado por infiltrados e delatores. Dezenas de marinheiros suspeitos foram detidos antes do início do motim. Salazar ordenou que os navios não alcançassem o mar aberto e autorizou sua destruição, se necessário.

As fortificações na foz do Tejo e a Aeronáutica Militar atacaram as embarcações. Sob fogo, o “Dão” perdeu o controle e encalhou. A insurreição foi dominada em poucas horas, com estimativa de entre 10 e 12 marinheiros mortos.

Mais de 200 marinheiros foram presos e expulsos da Marinha, enquanto 82 militares receberam penas de até 20 anos de prisão. Os condenados foram enviados para a fortaleza de Angra do Heroísmo, a prisão de Peniche e a Colônia Penal do Tarrafal, em Cabo Verde.

A deportação para o Tarrafal marcou a repressão política do Estado Novo. A colônia, conhecida como “Campo da Morte Lenta”, recebeu opositores do regime em condições de violência, trabalhos forçados, instalações insalubres, epidemias e alimentação escassa. A revolta também serviu de pretexto para um expurgo nas Forças Armadas, com a expulsão e a prisão de militares ligados à defesa dos princípios democráticos ou às ideias socialistas.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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