A União Europeia apresentou em junho de 2026 propostas para ampliar a capacidade de data centers e exigir transparência sobre o uso de água e energia por empresas de inteligência artificial. O pacote prevê triplicar as bases europeias entre 2031 e 2033 e reduzir a dependência de outras nações no setor tecnológico.
Empresas com capacidade superior a 500 kW terão de apresentar relatórios sobre o estresse provocado na distribuição local de água e energia e os efeitos de seus servidores nas comunidades. Também deverão informar medidas para reduzir danos, incluindo o eventual reaproveitamento do calor gerado pelas operações.
Indicadores de água e energia
As regras em discussão propõem uma classificação de eficiência semelhante à usada em carros e eletrodomésticos, com escalas separadas para água e energia. O indicador WUE mede a entrada de água doce em relação ao uso dos equipamentos. Já o PUE considera o consumo total da instalação.
A proposta também prevê informações sobre as fontes de energia utilizadas, a oferta de serviços de flexibilidade à rede elétrica e a reutilização do calor gerado. As instalações consideradas mais sustentáveis devem ficar entre os índices A e B nas duas categorias.
O pacote tem três frentes. A primeira atualiza a Lei de Semicondutores de 2023 para estimular chips e soluções generativas no bloco. A segunda cria uma Lei de Desenvolvimento para Nuvem e IA, com foco em data centers e soluções de código aberto nos 27 países-membros. A terceira é o Plano Estratégico para Digitalização e IA no Setor Energético.
A União Europeia abriu consulta pública de dois meses. As propostas ainda serão analisadas pela Comissão e pelo Parlamento Europeus. Empresas abaixo de 500 kW ficam isentas, mas podem aderir voluntariamente. Projetos em desenvolvimento também ficam nessa condição até começar a operação, quando terão de cumprir as regras.
A primeira revisão do pacote está prevista para ocorrer até o fim de 2028, com foco em metas, fiscalização e auditoria. A expectativa é que as empresas abrangidas apresentem relatórios de consumo já em 2027.
A Califórnia adotou medida semelhante. Nesta segunda-feira (21), o governador Gavin Newsom sancionou sete leis para exigir informações sobre consumo de água e energia, impactos na rede elétrica e regras para a construção de novas unidades.



