A Cifra de Uso Único é apresentada como o sistema criptográfico mais resistente conhecido: quando usada corretamente, não pode ser quebrada por supercomputadores tradicionais ou quânticos. A segurança vem da aleatoriedade total das chaves, e não da complexidade de um algoritmo que possa ser analisado.
Da Cifra de César ao RSA
A criptografia pode ser feita sem computadores. Na Cifra de César, usada por Júlio César, cada letra é deslocada no alfabeto conforme uma chave numérica. O texto cifrado é revertido com o mesmo deslocamento.
Durante a Segunda Guerra Mundial, máquinas como a Enigma usavam combinações mais complexas, mas tinham falhas operacionais e dependiam do estado inicial do equipamento. O SIGSALY, por sua vez, criptografava voz em tempo real com discos de ruído sincronizados. O sistema tinha 50 toneladas, ocupava uma sala inteira e cada unidade custava o equivalente a US$20 milhões em 2026.
Na criptografia de chave pública, como a usada em navegadores, a chave privada não é transmitida. No RSA, dois números primos de aproximadamente 1024 bits dão origem a um número de 2048 bits. A segurança depende da dificuldade de fatorar esse número. Um computador quântico com 20 milhões de Qubits poderia, em teoria, quebrar uma chave RSA de 2048 bits em 8 horas; em 2026, o recorde citado é de 96 Qubits.
A chave que não pode ser reutilizada
Na Cifra de Uso Único, alfabetos são embaralhados de forma aleatória e cada tabela serve apenas uma vez. Assim, a mesma letra pode representar símbolos diferentes em linhas distintas, sem relação previsível entre as posições. O sistema tem 26! permutações possíveis para cada linha.
O método foi descrito por C.E. Shannon como um sistema sem reversão algorítmica quando aplicado corretamente. O problema é prático: as tabelas precisam ser tão grandes quanto a mensagem, não podem ser transmitidas eletronicamente e devem chegar ao destinatário com segurança. Remetente e destinatário também precisam sincronizar qual tabela usar.
Essa exigência transforma um problema matemático em uma operação logística. Estações Numéricas utilizaram cifras desse tipo para enviar mensagens a espiões, mas o método perdeu espaço por causa do volume de material necessário. Em 2009, vídeos de drones americanos foram captados por terroristas no Iraque com SDR, e militares admitiram casos de transmissões interceptadas desde 2002.
Um script em Python citado no material permite gerar tabelas, criptografar mensagens e fazer a operação inversa. O padrão gera 50 linhas, que podem ser organizadas em blocos de cinco caracteres. Para manter a segurança, as tabelas não devem ser repetidas e precisam ser armazenadas de forma protegida.



