BOSTON — Uma etiqueta exibida na coleção permanente da Old South Meeting House foi associada por décadas à Festa do Chá de Boston, mas a análise do professor associado Tristan Brown, especialista em história chinesa no Massachusetts Institute of Technology (MIT), apontou outra origem para o objeto.
Os caracteres em escrita tradicional chinesa foram relacionados à empresa de importação e exportação Smith, Archer & Co. A firma operou no século 19, quase 100 anos depois do protesto contra a coroa britânica, realizado em 16 de dezembro de 1773.
A leitura dos caracteres
A interpretação anterior considerava o texto em mandarim. Brown adotou uma leitura fonética baseada no dialeto cantonês, associado ao comércio marítimo asiático, e identificou uma sonoridade equivalente a “Smith, Archer”.
A descoberta afasta a possibilidade de que a peça seja um fragmento de uma das 300 caixas de chá lançadas ao mar durante o levante anticolonial. A tradição familiar atribuía o objeto ao ferreiro Thomas Wells, que teria guardado a etiqueta como troféu e transmitido essa versão por gerações.
A narrativa foi aceita como fato desde o início do século 20, quando jornais e comemorações cívicas transformaram o relato familiar em uma versão consolidada na instituição.
Embora não tenha relação com o protesto de 1773, a etiqueta foi preservada por Brown como um registro do comércio global de chá oitocentista. O caso também mostra como uma tradição oral pode ser incorporada à interpretação histórica de um objeto exposto em museu.



