VARSÓVIA — Irena Sendler manteve registros codificados de 2.500 crianças judias retiradas do Gueto de Varsóvia e levadas a esconderijos durante a ocupação alemã da Polônia. Os papéis reuniam o nome verdadeiro de cada criança, sua identidade falsa e o endereço onde tentaria sobreviver.
Resgate no gueto
Sendler tinha 29 anos e trabalhava na assistência social de Varsóvia quando a Alemanha invadiu a Polônia, em 1939. No ano seguinte, a população judaica da cidade foi confinada em um gueto cercado por muros. Em seu auge, mais de 400 mil judeus estavam concentrados no local. Entre 1940 e meados de 1942, aproximadamente 83 mil morreram de fome e doenças.
Com autorização para entrar no gueto sob o pretexto de inspecionar as condições sanitárias, Irena passou a levar ajuda para dentro e a participar de uma rede que retirava pessoas clandestinamente. Entre julho e setembro de 1942, cerca de 265 mil judeus foram deportados de Varsóvia para Treblinka, onde a maioria foi assassinada. Outros milhares morreram durante a operação.
Sob o codinome Jolanta, Sendler atuava na Żegota, o Conselho de Ajuda aos Judeus, organização clandestina formada por poloneses e judeus e apoiada pelo governo polonês no exílio. Ela usava contatos com orfanatos, conventos, hospitais, escolas e famílias para encontrar abrigo para crianças judias.
Para evitar que os nomes originais desaparecessem, guardou os registros em recipientes escondidos em um jardim. O projeto Life in a Jar relata que eles foram enterrados sob uma macieira.
Prisão e reconhecimento
Em 20 de outubro de 1943, poucos dias depois de assumir a direção da seção infantil da Żegota, Irena foi presa. Antes da chegada dos agentes, escondeu documentos e informações sobre as crianças protegidas.
Na prisão de Pawiak, foi espancada e torturada. A Gestapo queria nomes, mas Sendler não revelou as crianças escondidas nem os companheiros da resistência. Condenada à morte, escapou depois que integrantes da Żegota subornaram autoridades responsáveis por sua custódia.
Após a guerra, tentou restabelecer a identidade das crianças sobreviventes. Em 1965, o Yad Vashem a reconheceu como Justa entre as Nações. Irena Sendler morreu em Varsóvia, em 12 de maio de 2008, aos 98 anos.



