NICE — Isadora Duncan morreu em 14 de setembro de 1927, aos 50 anos, depois que a echarpe de seda que usava no pescoço se prendeu à roda de um automóvel conversível. A dançarina foi puxada para fora do veículo e teve o pescoço quebrado durante o passeio no carro de Benoît Falchetto.
Nascida em 26 de maio de 1877, em São Francisco, Califórnia, Angela Isadora Duncan foi a caçula dos quatro filhos do banqueiro Joseph Charles Duncan e da professora de piano Mary Dora Gray. O banco do pai faliu no mesmo ano de seu nascimento. Depois do divórcio, Mary criou os filhos sozinha em Oakland, trabalhando como professora de piano e costureira.
Uma nova concepção de dança
Isadora começou a estudar balé aos nove anos, mas rejeitou a rigidez da técnica e das posições tradicionais. Aos dez anos, já dava aulas para crianças do bairro. Mais tarde, desenvolveu uma dança baseada na liberdade de movimento, na espontaneidade e na expressão emocional.
Em 1896, entrou para a companhia teatral de Augustin Daly. No fim da década de 1890, mudou-se para a Europa e se estabeleceu inicialmente em Londres. Ali consolidou uma proposta que rompia com os figurinos e movimentos convencionais do balé: dançava descalça, com os cabelos soltos e túnicas leves, buscando referências na arte da Grécia Antiga, na poesia, na natureza e nos movimentos das crianças.
A artista também coreografou obras de Beethoven, Chopin, Wagner e Brahms. Em 1904, uma apresentação na Alemanha ao som da “Sétima Sinfonia” de Beethoven provocou críticas e acusações de que ela havia “profanado” a música instrumental germânica.
Isadora abriu escolas de dança a partir de 1904. A primeira funcionou em Grunewald, nos arredores de Berlim, onde ela orientou seis jovens conhecidas como “Isadoráveis”: Anna Denzler, Maria-Theresa Kruger, Irma Erich-Grimme, Elizabeth Milker, Margot Jehl e Erica Lohmann. O objetivo era usar a dança como instrumento de educação e emancipação, especialmente para as mulheres.
Militância política
Defensora do feminismo, da liberdade sexual e do socialismo, Isadora se aproximou do movimento operário e apoiou a Revolução de Outubro de 1917. Em 1921, aceitou um convite do governo soviético para fundar em Moscou uma escola gratuita, financiada pelo Estado e voltada aos filhos da classe trabalhadora. A proposta partiu de Anatoli Lunatcharski.
Ainda em 1921, Isadora e 100 alunas se apresentaram no Teatro Bolshoi ao som de “A Internacional”, com Lenin na plateia. Em 1922, ela se casou com o poeta Serguei Iessienin, mas a união terminou depois de pouco mais de um ano.
O trabalho na União Soviética e o apoio ao socialismo fizeram dela alvo de ataques nos Estados Unidos. Entre 1922 e 1923, foi vaiada durante apresentações e acusada de ser uma “traidora” ligada à “propaganda bolchevique”. Em Boston, respondeu às críticas com uma performance no Symphony Hall, na qual exibiu uma echarpe vermelha e declarou: “Isso é vermelho e eu também sou”. O prefeito James Curley a baniu da cidade.
Decepcionada com o apoio recebido para seu projeto educacional, Isadora deixou a União Soviética em 1924 e se mudou para a França. Em 1927, publicou a autobiografia “Minha Vida”. Seu legado influenciou o desenvolvimento da dança moderna e contemporânea ao longo do século 20, incluindo o trabalho de Martha Graham.




