Donald Trump acusou o Brasil de não cumprir as obrigações de combate ao PCC e ao Comando Vermelho (CV). A declaração consta de um documento divulgado pelo Departamento de Estado nesta quarta-feira (16) e enviado ao Congresso dos Estados Unidos.
O relatório pede que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva adote, com urgência, medidas contra as duas facções. O documento afirma que o Brasil permanece inerte diante da atuação do PCC e do CV, enquanto outros países ocidentais tomariam medidas para erradicar cartéis.
Tráfico internacional
Segundo o relatório, as organizações criminosas brasileiras transformaram o país em um centro do fluxo global de cocaína. Trump também afirma que PCC e CV representam uma ameaça à segurança mundial.
O documento declara que as facções constituem uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo. A avaliação é acompanhada de um pedido para que o governo brasileiro adote medidas firmes contra os grupos antes que eles se espalhem e cresçam.
O relatório presidencial diz que Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia também falharam, no último ano, em cumprir compromissos previstos em acordos internacionais de combate ao narcotráfico.
Os Estados Unidos também pediram que México e Canadá ampliem os esforços para impedir a entrada de drogas no país. Para o Canadá, o governo norte-americano defende ações contra laboratórios clandestinos de drogas. Em relação ao México, pede medidas contra organizações narcoterroristas que controlam territórios.
Classificação como terroristas
PCC e CV passaram a ser considerados grupos terroristas estrangeiros pelo governo Trump em junho deste ano. A justificativa apresentada foi a proteção da nação e dos interesses de segurança nacional, com a avaliação de que as ações das facções alcançam outros países, incluindo os Estados Unidos.
O governo brasileiro se opunha à classificação por considerar que ela poderia abrir margem para ações mais duras dos Estados Unidos em território brasileiro, inclusive uma operação militar.


