A relação entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva alterna negociações e conflitos, enquanto o governo dos Estados Unidos mantém oficialmente distância da campanha eleitoral brasileira. Nos bastidores, porém, Trump demonstra preferência por Flávio Bolsonaro, adversário de Lula e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Uma eventual vitória de Flávio representaria um ganho estratégico para Trump, que vem reunindo aliados na região. O senador já antecipou que o Brasil poderia aderir ao projeto Escudo das Américas, aliança de segurança criada pelo presidente americano em março, durante uma reunião de cúpula na Flórida.
Apesar da distância política, Trump e Lula apostaram no contato pessoal. Os dois se encontraram na sede da ONU em setembro do ano passado, e Trump descreveu o resultado como uma “química excelente”. Em 7 de maio, Lula foi recebido na Casa Branca e conseguiu retomar as negociações comerciais bilaterais.
A aproximação ocorreu depois que os Estados Unidos impuseram tarifas generalizadas em abril de 2025 e uma tarifa separada de 25% sobre o aço brasileiro no mês anterior. Trump também recebeu Flávio Bolsonaro três semanas depois, em uma reunião a portas fechadas.
Crise diplomática
A relação voltou a se deteriorar em agosto. O governo americano havia indicado Daniel Pérez para a embaixada em Brasília, mas o Brasil adiou a aceitação. Em 4 de agosto, o secretário de Estado, Marco Rubio, revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Após uma conversa telefônica com Trump, Lula retomou as negociações tarifárias. A analista Bruna Santos, do Diálogo Interamericano, avaliou que os eleitores brasileiros estão mais preocupados com outros temas do que com a atuação do presidente no conflito com os Estados Unidos.
Outro foco de tensão é a ação apresentada em fevereiro de 2025 pela Trump Media e pela Rumble contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal. As empresas questionam decisões que limitaram a divulgação de mensagens consideradas difamatórias no Brasil. O processo, aberto na Flórida, ainda está em análise.



