BRASÍLIA — Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) discutem como transmitir a sessão marcada para terça-feira (15), quando será analisada a crise entre Alexandre de Moraes e André Mendonça. Há temor de que trechos da transmissão sejam usados em campanhas nas redes sociais.
O presidente do STF, Edson Fachin, avalia manter a sessão pública. Entre as alternativas discutidas está a adoção de um atraso maior na transmissão, permitindo interromper o sinal caso os embates entre os ministros aumentem. Também foi cogitada a realização da sessão fechada.
Pelo menos três integrantes da corte avaliam que uma transmissão ao vivo com possível troca de ofensas poderia prejudicar a imagem do Supremo. Fachin tem recebido ministros em conversas reservadas e feito um apelo por um mínimo de urbanidade durante o julgamento.
A expectativa de integrantes do tribunal é que o episódio seja explorado na disputa política por candidatos da direita e da esquerda. No entorno de Luiz Inácio Lula da Silva, aliados se preparam para divulgar trechos em que Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes ou Cristiano Zanin eventualmente apontem irregularidades nos métodos de investigação do relator do Master.
Apoiadores de Flávio Bolsonaro, por sua vez, pretendem explorar vídeos em que Mendonça, Kassio Nunes Marques ou Luiz Fux mencionem os elos de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ou defendam uma investigação criminal contra o ministro.
Medidas adotadas na crise
Na quarta-feira (9), Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e proibiu Mendonça de avançar em investigações com potencial de atingir integrantes do STF. Nesta quinta (10), o presidente da corte conversou individualmente com Mendonça, Moraes, Cármen Lúcia, Dias Toffoli e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A crise começou quando Mendonça expôs mensagens que Vorcaro teria enviado a Moraes, pedindo informações sobre as investigações e perguntando se deveria fugir do Brasil. As respostas de Moraes não foram registradas.
Moraes reagiu usando o inquérito das fake news para pedir que Mendonça fosse investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Depois, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, após Moraes usar um relatório de inteligência da PF para fundamentar a solicitação.
Flávio Dino decidiu reintegrar Andrei ao cargo e afirmou que a ordem de Mendonça prejudicaria a apuração sobre desvios de emendas destinadas ao filme “Dark Horse”. Fachin suspendeu as duas decisões sobre o diretor-geral da PF e citou “comandos conflitantes e sobrepostos que geram lesão à ordem pública”.




