São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Anúncios sobre STF e Moraes movimentam até R$ 2,9 milhões

Levantamento na Biblioteca de Anúncios da Meta identificou 5.677 peças, com concentração após 3 de setembro e críticas ao Supremo.

Anúncios sobre STF e Moraes movimentam até R$ 2,9 milhões

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) passou a ocupar espaço relevante na propaganda eleitoral paga. Até 10 de setembro, foram identificados 5.677 anúncios sobre a Corte e seus ministros, sobretudo Alexandre de Moraes, no Facebook e no Instagram. As peças movimentaram até R$ 2,9 milhões na Meta, empresa responsável pelas duas plataformas.

A maior parte dos anúncios surgiu depois de 3 de setembro, quando André Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que apontou Moraes como interlocutor do banqueiro Daniel Vorcaro. Em seguida, Moraes requisitou à PF relatórios de inteligência sobre a atuação de Mendonça, no inquérito das fake news, e acusou o colega de crimes.

Dos anúncios identificados, 4.519, ou 79,6%, começaram a ser veiculados entre 3 e 10 de setembro. Esse grupo concentrou gastos de até R$ 1,9 milhão, cerca de dois terços do total registrado.

Críticas ao Supremo

Segundo a classificação da plataforma, os conteúdos eram políticos, eleitorais ou relacionados a temas sociais. Do total, 74% tinham tom crítico ao STF ou a Moraes. Entre as expressões recorrentes estavam “impeachment”, “Fora Moraes”, “abusos do STF”, “censura”, “perseguição”, “ditadura de toga” e “autoritarismo”. As peças também defendiam a limitação dos poderes da Corte e o afastamento de ministros.

Gustavo Gayer (PL), candidato ao Senado por Goiás, usou o confronto com o Supremo em anúncios de campanha. Ubiratan Sanderson (PL), no Rio Grande do Sul, e Wellington Callegari (DC), no Espírito Santo, também divulgaram peças críticas à Corte.

O tema apareceu ainda em candidaturas de esquerda, com enquadramentos diferentes. Áurea Carolina (PSOL), candidata ao Senado por Minas Gerais, defendeu maior fiscalização sobre os ministros e afirmou que “os ministros também devem ser responsabilizados por suas condutas”. Ela rejeitou o impeachment como “armação golpista”.

A disputa também alcançou candidatos à Câmara. Em São Paulo, Zoe Martínez (PL) impulsionou conteúdo pedindo investigação contra Moraes e reproduziu informações sobre alterações em metadados de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

No Rio de Janeiro, Jandira Feghali (PCdoB) direcionou críticas a André Mendonça em anúncio publicado em 8 de setembro. Ela mencionou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e afirmou que a democracia estava em risco.

Disputa no STF

A crise se intensificou após decisões conflitantes sobre o comando da Polícia Federal. Mendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência, Leandro Almada. Flávio Dino ordenou a reintegração dos dois. Edson Fachin suspendeu as decisões, manteve Andrei no cargo e transferiu para a Presidência do STF a relatoria do inquérito das fake news, antes conduzido por Moraes.

O presidente do STF convocou uma sessão plenária extraordinária para 15 de setembro. Os ministros devem analisar a validade do relatório da PF e a eventual abertura de investigação contra Moraes.

O STF não se manifestou. A legislação eleitoral veda o uso de impulsionamento pago para propaganda negativa contra instituições ou adversários políticos.

O assunto também apareceu em anúncios de convocação para as manifestações de 7 de Setembro. Atos ligados às campanhas presidenciais de Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) incorporaram críticas a Moraes e questionamentos à atuação do Supremo.

Para Leandro Consentino, professor do Insper, a exploração eleitoral decorre da centralidade de Moraes e do STF na polarização política. Na avaliação dele, fatos capazes de produzir vantagem tendem a ser incorporados pelas campanhas.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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