BRASÍLIA — A sessão do Supremo Tribunal Federal foi marcada por acusações entre ministros, reforço na segurança e interrupção do julgamento após um pedido de vista de Flávio Dino. O encontro ocorreu em meio à crise envolvendo o Banco Master e as investigações da Operação Compliance Zero.
O confronto mais direto ocorreu entre Alexandre de Moraes e André Mendonça, que se sentam lado a lado no plenário por ordem de data de posse. Enquanto Edson Fachin lia o relatório, os dois não interagiram. Depois, Moraes acusou Mendonça de plantar uma investigação contra ele no caso Master. Mendonça respondeu chamando-o de mentiroso.
Durante os momentos em que não falava, Mendonça manteve as mãos em forma de oração, batucou na mesa e grifou documentos com uma marca-texto cor-de-rosa. Moraes balançou a cadeira, consultou o celular e fez anotações nos autos com uma caneta esferográfica azul.
Cármen Lúcia acompanhou a sessão apoiando o queixo ou a testa nas mãos. À frente dela, Gilmar Mendes manuseou mensagens impressas apreendidas no celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Banco Master preso na Operação Compliance Zero. Dias Toffoli permaneceu no julgamento, pressionou a região entre as sobrancelhas e cochichou várias vezes com Gilmar.
A segurança do tribunal colocou pelo menos oito policiais no plenário. Os agentes circularam entre as cadeiras e chamaram a atenção de uma pessoa que usava mímicas para se comunicar à distância. Como havia orientação para silêncio absoluto, integrantes da plateia passaram a trocar bilhetes. Os celulares dos presentes foram lacrados.
A TV Justiça manteve os áudios dos embates, mas direcionava a imagem para Fachin quando as discussões se agravavam. No intervalo, por volta das 13h, Dino se aproximou do presidente do STF, fez um aceno de paz e afirmou que as críticas à condução da sessão não eram pessoais. Ele também conversou com Mendonça sobre os procedimentos adotados por Fachin, sem tratar do mérito do julgamento, segundo interlocutores dos dois ministros.
Pedido de vista
Na retomada, por volta das 15h30, Dino intensificou as críticas à forma como Fachin conduzia a sessão. Em seguida, pediu vista, interrompendo o julgamento, e deixou o plenário acompanhado por Gilmar. Os dois deram gargalhadas na sala de lanches anexa ao plenário antes de retornar aos assentos.
Fachin havia sido alvo de críticas da ala favorável a Moraes. Ao fim da sessão, por volta das 18h20, saiu ladeado por Cármen e Luiz Fux, que lhe prestaram apoio. Na sala de lanches, para onde os ministros se dirigiram, novas gargalhadas foram ouvidas.
Ex-presidentes do STF que haviam enviado a Fachin um manifesto em defesa de uma solução para a crise não compareceram. Os lugares reservados a eles permaneceram vazios.



