SÃO PAULO E BRASÍLIA — O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que o julgamento de terça-feira, 15, sobre a abertura ou o arquivamento de uma investigação contra ele seja analisado junto com o procedimento instaurado para apurar a atuação do ministro André Mendonça no caso Master.
A investigação contra Moraes trata de supostos crimes relacionados à sua relação com Daniel Vorcaro. Já o procedimento envolvendo Mendonça apura supostas irregularidades na condução do caso. Moraes quer incluir na análise representações que apontam suposta quebra de imparcialidade, suspeitas de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade.
Mendonça havia autorizado a Polícia Federal a redigir um relatório com mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. Para Alexandre de Moraes, a análise conjunta evitaria o “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual”.
Entre os pontos atribuídos a Mendonça, Moraes cita a suposta usurpação da direção das investigações policiais, com medidas administrativas que teriam afastado a observância da cadeia de custódia e prejudicado a produção de provas. Também aponta condução irregular de tratativas sobre eventual colaboração premiada.
O ministro ainda acusa Mendonça de direcionar determinados alvos para investigação por motivos pessoais e políticos. Entre os citados estão o próprio Alexandre de Moraes e o senador Davi Alcolumbre, além da indicação prévia de medidas cautelares a serem apresentadas pela Polícia Federal.
O pedido ocorre após o levantamento do sigilo do relatório por Mendonça. Na última quarta-feira, 9, a relatoria do caso Master deixou o gabinete do ministro e passou à presidência do STF, sob Edson Fachin. Moraes também atribui a Mendonça favorecimento a determinados grupos políticos na relatoria das operações Sem Desconto e Compliance Zero.
As mensagens mencionadas no caso incluem pedidos de Vorcaro para que Moraes interviesse junto ao delegado Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Também aparecem referências a um contrato de R$ 131 milhões entre Viviane Moraes e Vorcaro, a pagamentos ao escritório Barci de Moraes e à autorização de cartões com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.




