O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, acusou governos de promover uma tentativa planejada e coordenada de desmantelar a ordem multilateral. Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta quarta-feira (24/09), ele afirmou que esses países violam regras internacionais, promovem guerras ilegais e atacam instituições criadas após a Segunda Guerra Mundial.
Sánchez disse que os princípios de paz, sustentabilidade e igualdade de oportunidades estão sob ataque. Segundo ele, governos começaram questionando as regras internacionais e passaram a descumpri-las por acreditar que não seriam responsabilizados. O espanhol citou a redução das contribuições a organismos multilaterais e o bloqueio à capacidade de atuação da ONU, usado para apresentá-la como uma instituição inútil.
Ele atribuiu a ofensiva ao egoísmo, à ignorância e à crueldade. Na avaliação de Sánchez, esses fatores aparecem na visão de que as relações internacionais são um jogo de soma zero, no desprezo à ciência e na indiferença diante da pobreza extrema, da morte de crianças e da destruição de hospitais. “Não vamos nos calar”, declarou.
Reforma da ONU
Sánchez defendeu o multilateralismo como instrumento para administrar a diversidade e a interdependência entre os países. Pediu uma reforma profunda das Nações Unidas, com ampliação da representatividade do Conselho de Segurança, fim do poder de veto dos cinco membros permanentes e fortalecimento do Tribunal Penal Internacional (TPI).
O primeiro-ministro também criticou o fato de a ONU nunca ter sido comandada por uma mulher. Ele defendeu que uma mulher da América Latina ocupe pela primeira vez a Secretaria-Geral da organização.
Sánchez afirmou que a Espanha duplicou seus investimentos em cooperação internacional e elevou em 60% sua contribuição ao sistema multilateral, enquanto outros países reduzem recursos para a área.
Conflitos e desarmamento
O espanhol pediu a reconstrução de uma arquitetura global de não proliferação e desarmamento nuclear. Também defendeu regras mais rígidas para grandes empresas de tecnologia e a prioridade dos interesses das novas gerações sobre os interesses econômicos.
Sobre os conflitos globais, afirmou que a Espanha se posicionou contra as guerras contra o Irã, o Líbano e a Ucrânia. Disse ainda que o governo recusou elevar os gastos militares a 5% do PIB, conforme a pressão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e manteve um embargo de armas ao governo israelense.




