O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, denunciou neste sábado (26/09), na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o aumento da pressão dos Estados Unidos contra a ilha. No debate geral da 81ª sessão, ele defendeu o direito cubano à soberania e à autodeterminação e voltou a criticar o bloqueio econômico, comercial e financeiro mantido por Washington.
Rodríguez afirmou que as medidas norte-americanas formam uma guerra multidimensional contra Cuba, iniciada há quase sete décadas e intensificada nos últimos sete meses. Segundo o chanceler, o cerco energético acrescentado às sanções equivale a um bloqueio naval e representa um ato de guerra. Ele disse que Cuba não é uma ameaça aos Estados Unidos e apresentou os embargos e a pressão econômica como o risco central para a população cubana.
“O objetivo evidente e imediato é provocar uma crise humanitária em Cuba”, declarou Rodríguez. O ministro afirmou que a política norte-americana atinge toda a população, provoca sofrimento e compromete o bem-estar e a dignidade das famílias cubanas. Também contestou a afirmação de Donald Trump de que Cuba seria um Estado falido e questionou a necessidade de Washington impor bloqueio de combustível, sanções secundárias e pressão sobre outros países.
O representante cubano informou à ONU que persiste a ameaça de uso da força militar contra a ilha. Para ele, uma eventual ação provocaria mortes de cubanos e de jovens estadunidenses, além de destruição, e violaria o direito internacional e a Carta de São Francisco.
A fala ocorreu quatro dias depois de Trump atacar o governo cubano na Assembleia Geral. O presidente dos Estados Unidos disse que Cuba atravessa uma crise sem precedentes, classificou o país como um Estado falido e afirmou que a ilha cairá. A delegação cubana deixou o plenário durante o discurso.
Rodríguez também afirmou que Havana permanece disposta a dialogar com Washington, com base na igualdade soberana, no respeito e no direito internacional. Disse, porém, que não há negociações formais, acordos ou agenda conjunta em andamento entre os dois governos.
A delegação cubana relacionou as restrições norte-americanas à dificuldade de acesso a combustível, às relações comerciais e financeiras e aos problemas do sistema elétrico do país. Em julho, os Estados-membros aprovaram por 136 votos a 9, com uma abstenção, um novo debate sobre o fim do embargo. A resolução anual deverá voltar à votação durante a atual sessão.



