NOVA YORK — A presidenta em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, defendeu o diálogo político, a transformação institucional e a realização de eleições durante discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU, nesta quarta-feira (23/09). Ela não mencionou Nicolás Maduro e classificou a agressão militar do dia 3 de janeiro como uma “confrontação agudizada com os Estados Unidos”.
Rodríguez afirmou que a Venezuela passou, em 2026, por duas provações: o estrangulamento da política interna e o duplo terremoto de 24 de junho. Também agradeceu à comunidade internacional pela solidariedade após os tremores e defendeu o fim das sanções econômicas.
Acordo com os Estados Unidos
A governante citou o acordo binacional firmado recentemente com os Estados Unidos para a exploração de petróleo por empresas estrangeiras na Venezuela. Segundo ela, o pacto contribuirá para o equilíbrio energético do hemisfério e da economia internacional.
Rodríguez agradeceu a Donald Trump, com quem se reuniu em Nova York na noite de terça (22/09), pela disposição de retomar relações diplomáticas e de cooperação. As conversas, segundo a presidenta, envolvem energia, mineração, combate ao crime transnacional e cooperação econômica.
Ela afirmou que os dois países trabalham para reduzir as diferenças por meio do diálogo. Também mencionou a inteligência artificial como parte de uma revolução tecnológica.
Reforma política e eleições
Ao tratar da política doméstica, Rodríguez anunciou o início de um processo de transformação democrática e institucional. O plano inclui uma reforma do sistema de Justiça para assegurar garantias jurídicas a cidadãos e investidores, além de diálogo com setores da oposição.
A presidenta disse que esse processo deverá preparar futuras eleições transparentes e inclusivas. “Na Venezuela haverá eleições”, declarou. Ela também afirmou que o país precisa realizar o processo eleitoral sem restrições econômicas.
Rodríguez falou pela primeira vez em “transição democrática” e defendeu que os temas internos sejam resolvidos pelas próprias instituições. Pediu ainda o acompanhamento da comunidade internacional, o respeito à autodeterminação venezuelana e o fim do isolamento diplomático do país.
Disputa com a Guiana
No discurso, a governante reiterou os direitos históricos da Venezuela sobre a Guayana Esequiba e defendeu a retomada das negociações bilaterais com a Guiana, conforme o Acordo de Genebra.
A Corte Internacional de Justiça julga um processo movido pelo governo guianês em 2018. A Venezuela não reconhece a competência da corte para analisar o caso e sustenta a validade do acordo assinado em 1966, que prevê uma solução prática, pacífica e satisfatória para as partes.


