SEUL — Ativistas de movimentos trabalhistas, LGBTQIAPN+, universitários e independentes participaram de marchas em apoio à causa palestina na Coreia do Sul. Na capital, o movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) organizou neste sábado (03/10) uma manifestação contra a aliança do país com Israel.
Os manifestantes defenderam a suspensão imediata das exportações de armas, da cooperação industrial e do intercâmbio de tecnologia militar com o governo israelense. O ativista sul-coreano Yu Ji citou dados do Centro de Paz e Desarmamento da Solidariedade do Povo pela Democracia (PSPD), segundo os quais a Coreia do Sul exportou aproximadamente US$ 16,2 milhões (quase R$ 85 milhões) em armas para Israel em 2023. Entre janeiro e agosto de 2024, foram cerca de US$ 6 milhões (cerca de R$ 31 milhões).
Em 2025, durante o governo do presidente Lee Jae Myung, as exportações sul-coreanas para Israel de armas, munições e componentes somaram US$ 1,49 milhão (cerca de R$ 7,8 milhões), conforme estatísticas da World Integrated Trade Solution (WITS), do Banco Mundial. Israel ocupou a 7ª posição entre os destinos desses produtos.
Yu Ji afirmou que a política externa sul-coreana mantém a linha adotada por governos anteriores desde o fim da Guerra Fria e os Acordos de Oslo. Para o ativista, declarações de apoio à solução de dois Estados e ao direito palestino à autodeterminação não foram acompanhadas de medidas substanciais.
Equipamentos e cooperação tecnológica
O ativista também citou o uso de máquinas da HD Hyundai Construction Equipment na construção de assentamentos e na destruição de propriedades palestinas na Cisjordânia ocupada. Segundo a Anistia Internacional, houve ao menos 32 carregamentos de máquinas da empresa para a distribuidora israelense EFCO entre outubro de 2021 e outubro de 2023, além de 12 carregamentos para a empresa Emcol.
A Anistia Internacional confirmou ainda o uso de máquinas da HD Hyundai em demolições na Cisjordânia, principalmente após outubro de 2023. Yu Ji disse que a empresa se recusa a realizar uma diligência em direitos humanos sobre o tema.
Empresas israelenses também participam do fornecimento de componentes e do desenvolvimento de sistemas usados em equipamentos sul-coreanos. Entre os exemplos estão o sistema de proteção ativa do tanque K-2, o sistema de comando e controle do veículo AS-21 e o radar do caça KF-21.
O Acordo de Livre Comércio entre Coreia do Sul e Israel está em vigor desde dezembro de 2022 e inclui aeroespacial e cibersegurança entre as áreas de cooperação tecnológica. Samsung, Hyundai, SK e LG também adquiriram ou investiram em startups israelenses.
Protesto de palestinos em Seul
A jornalista palestina Sahar Kalloub participou da marcha no centro da capital. Ela deixou Gaza poucos dias antes de Israel intensificar as agressões em outubro de 2023 e migrou para Seul menos de um mês antes da manifestação. Sua família permaneceu em Gaza.
“Meus estudos começaram junto com o genocídio. Toda a minha família continuou em Gaza”, disse Sahar. Em outro momento, afirmou: “É uma vergonha para a humanidade e para o mundo que isso continue acontecendo”.
O movimento BDS sul-coreano surgiu em meio à invasão norte-americana do Iraque, em 2003. De acordo com Yu Ji, o grupo Solidariedade à Paz na Palestina obteve vitórias em ações de boicote, mas sua influência ainda está restrita a ativistas, intelectuais e artistas.
O ativista afirmou que protestantes de direita anticomunistas influenciados pelos Estados Unidos formam o principal grupo de apoio a Israel na Coreia do Sul. Também citou a existência de uma Associação Parlamentar de Amizade Coreia-Israel na Assembleia Nacional.



