A influência da China passou a ser avaliada de forma mais positiva do que a dos Estados Unidos na América Latina, segundo a edição mais recente do Latinobarómetro. O levantamento ouviu cerca de 19,2 mil pessoas em 17 países da região.
China ganha espaço na percepção regional
Do total, 65% avaliam positivamente a influência chinesa, enquanto 57% fazem a mesma avaliação sobre os Estados Unidos. Em 2020, os percentuais eram de 48% para a China e 60% para os Estados Unidos.
Washington, porém, ainda lidera em popularidade: 63%, contra 58% de Pequim. A imagem dos Estados Unidos recuou dez pontos desde a volta de Donald Trump à Casa Branca. Em 2024, 73% dos entrevistados tinham opinião favorável sobre o país.
A condução das relações internacionais pelo presidente norte-americano é aprovada por 34% e desaprovada por 59%. A rejeição chega a 79% no México, 72% em Honduras, 71% na Guatemala e 70% no Uruguai.
O apoio ao ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, em 3 de janeiro, é de 69% na região. Apenas 35% consideram que a ação beneficiou a Venezuela, enquanto 28% avaliam que ela prejudicou o país. Em Caracas, 61% aprovam a atuação internacional de Trump e 33% desaprovam.
Democracia, segurança e economia
As eleições são consideradas indispensáveis para a democracia por 74% dos entrevistados. O índice é de 59% para os parlamentos e de 55% para os partidos políticos. Ao mesmo tempo, 52% dizem que não se importariam com um governo não democrático capaz de resolver seus problemas.
A falta de representação também é apontada por 76%, ante 70% em 2015. Na segurança pública, 79% consideram que as organizações criminosas têm muito ou bastante poder. Só 18% acreditam que seus países estão vencendo o combate ao crime organizado e ao narcotráfico; 47% dizem que estão perdendo e 29% consideram a batalha impossível de vencer. Políticas de “mão dura” têm apoio de 63%.
Na economia, 15% avaliam como boa a situação de seus países, e 73% dizem que o Estado fez “pouco ou nada” por eles nos três anos anteriores. A satisfação com a educação pública caiu de 54% para 40% entre 2009 e 2026; com hospitais públicos, de 46% para 28%; com o sistema judicial, de 33% para 22%; e com a polícia, de 35% para 30%.
Apesar da avaliação econômica, 52% esperam melhora na própria situação no próximo ano. Para a economia nacional, o percentual é de 36%. O levantamento foi realizado entre 7 de maio e 17 de junho, com margem de erro regional de um ponto percentual.




