O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, exigiu o retorno imediato de Nicolás Maduro à Venezuela e classificou o ataque realizado pelos Estados Unidos no país, em 3 de janeiro, e o sequestro do presidente venezuelano como ações que enfraquecem o direito internacional, a paz e a segurança mundiais.
Lavrov liderou a delegação russa na sessão plenária da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. No discurso, também defendeu o fim do bloqueio econômico contra Cuba, a interrupção do genocídio cometido pelas forças israelenses na Palestina e uma solução para os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Críticas à Europa e à Ucrânia
O chanceler russo acusou potências europeias de minimizar manifestações de ideologia neonazista no regime de Kiev e de esquecer o genocídio contra o povo soviético. Também criticou o governo alemão e respondeu ao primeiro-ministro Friedrich Merz, que havia falado em tornar a Alemanha novamente a principal potência militar da Europa.
“Um novo processo de remilitarização em Berlim teria graves consequências históricas”, afirmou Lavrov.
Ele condenou ainda a proibição legal da língua russa na Ucrânia e acusou a União Europeia de manter silêncio diante do que descreveu como violações da liberdade de expressão, de religião e de direitos protegidos pela Carta da ONU.
Lavrov disse que o Ocidente tenta impor sua visão de mundo por meio do uso desproporcional e ilegítimo da força. Também afirmou que a russofobia pode abrir espaço para práticas fascistas e supremacistas.
Conselho de Segurança e Brics
O ministro declarou que a Rússia continuará a proteger a população de Donbas e Novorossiya até que, segundo ele, sejam eliminadas as ameaças à segurança nacional russa e restaurada a paz.
Na agenda multilateral, defendeu o Brics e afirmou que a ONU deve atuar como espaço de diálogo e cooperação. Lavrov rejeitou assentos permanentes no Conselho de Segurança para Alemanha e Japão, citando tendências militaristas, e apoiou a entrada do Brasil e da Índia.
Ele também defendeu a aplicação do Consenso de Ezulwini e da Declaração de Sirte para ampliar a representação da África, da Ásia e da América Latina no órgão. Ao final, destacou o Dia Internacional contra o Colonialismo e anunciou que a Rússia sediará a Assembleia Mundial do Movimento Interpartidário Internacional pela Liberdade das Nações.


