NOVA YORK — A presidenta em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, defendeu diálogo político, reformas institucionais e futuras eleições durante discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas. Ela não mencionou Nicolás Maduro e classificou a agressão militar de 3 de janeiro como uma “confrontação agudizada com os Estados Unidos da América”.
Rodríguez afirmou que a Venezuela atravessou duas provações em 2026: o estrangulamento da vida política interna e a confrontação com os Estados Unidos, além do duplo terremoto de 24 de junho. Segundo ela, o país inicia uma reconstrução após esses acontecimentos.
A governante também citou um acordo binacional com os Estados Unidos para a exploração de petróleo por empresas estrangeiras. Ela agradeceu ao presidente Donald Trump, com quem se reuniu em Nova York na noite de terça-feira (22/09), pelas iniciativas voltadas a energia, mineração, combate ao crime transnacional e cooperação econômica.
Sanções e eleições
Rodríguez pediu o fim das sanções econômicas e disse que essas medidas prejudicam as liberdades econômicas e financeiras e atrasam o desenvolvimento humano. Ela defendeu que a superação dos conflitos políticos ocorra por meio de diálogo, diplomacia e respeito à soberania venezuelana.
Na política interna, anunciou um processo de transformação democrática e institucional. O plano inclui uma reforma do sistema de justiça e conversas com setores da oposição para preparar eleições transparentes e inclusivas. “Na Venezuela haverá eleições”, declarou.
A presidenta também falou pela primeira vez em “transição democrática” e afirmou que os temas internos devem ser resolvidos dentro do país. Pediu à comunidade internacional apoio às mudanças e o fim do isolamento diplomático da Venezuela.
Disputa territorial
Rodríguez reafirmou os direitos históricos da Venezuela sobre a Guayana Esequiba e pediu à Guiana a retomada de negociações bilaterais com base no Acordo de Genebra. A Corte Internacional de Justiça julga um processo iniciado pelo governo guianês em 2018. A Venezuela não reconhece a competência da corte para analisar o caso e defende a validade do acordo assinado em 1966.


