O governo do Japão pediu à ONU a correção do novo mapa-múndi adotado pela organização porque as Ilhas Curilas aparecem com a mesma cor do território russo. Tóquio afirma que a representação contradiz sua posição sobre a soberania do arquipélago, chamado de Territórios do Norte no país.
A objeção foi anunciada nesta quinta-feira (10), apesar de o Japão ter apoiado a resolução aprovada na sexta-feira pela Assembleia Geral da ONU. A medida recebeu o apoio de 164 países e prevê uma representação cartográfica mais fiel ao tamanho real dos continentes.
O porta-voz do governo japonês, Minoru Kihara, disse que o mapa “inclui uma representação que contradiz a posição do governo japonês”. Segundo ele, o país também precisa evitar a disseminação de informações equivocadas sobre seus territórios e nomes geográficos.
Kihara afirmou que o Japão apresentou um protesto ao responsável pelo site em que o mapa está disponível, por meio dos canais diplomáticos, e exigiu a correção da representação.
Mudança na projeção
O mapa abandona a projeção de Mercator, que aumenta visualmente as regiões em latitudes mais altas e reduz proporcionalmente as áreas próximas ao Equador. Com isso, Europa e América do Norte parecem maiores, enquanto África e América do Sul ficam visualmente reduzidas.
Na nova representação, África, América Latina, sul da Ásia e Oceania aparecem maiores. A dificuldade de retratar um globo tridimensional em uma superfície bidimensional está entre as razões da distorção associada à projeção de Mercator. Em 2018, cartógrafos lançaram a projeção Equal Earth, que busca representar de forma mais proporcional as dimensões dessas regiões.
As Ilhas Curilas foram ocupadas em 1945 pela então União Soviética, que expulsou a população japonesa. As relações entre Japão e Rússia se deterioraram no mês passado após uma visita surpresa de Vladimir Putin às ilhas. Tóquio convocou o embaixador russo, e a primeira-ministra Sanae Takaichi classificou a viagem como “absolutamente inaceitável”.




