A Anistia Internacional afirmou nesta quinta-feira (10) que estrangeiros são levados a combater pela Rússia na Ucrânia por meio de fraude, coerção e promessas falsas. O relatório reúne entrevistas com prisioneiros de guerra que assinaram contratos militares com Moscou.
Brasileiros, colombianos, cidadãos do Sri Lanka e da África do Sul estão entre os casos mencionados. Segundo a organização, alguns chegaram à Rússia após responder a anúncios de emprego que não correspondiam a vagas reais e foram obrigados a se alistar depois.
Recrutamento e coerção
Os recrutadores também abordam estrangeiros em situação irregular no país. A eles, seriam oferecidos autorização de residência ou passaporte em troca do ingresso nas Forças Armadas russas. No caso de um caminhoneiro sul-africano, a promessa era de trabalho como motorista em Moscou; após a chegada, seus pertences foram confiscados.
A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, disse que a Rússia busca no exterior homens com menos de 40 anos, principalmente em países mais pobres, usando a promessa de emprego. Ela afirmou que os recrutados podem ter os passaportes confiscados, ser obrigados a assinar documentos que não compreendem e receber treinamento básico antes de serem enviados ao front.
Prisioneiros estrangeiros ouvidos durante uma visita supervisionada a um centro de detenção na Ucrânia, em fevereiro, relataram dificuldades para entender os contratos e se comunicar com superiores por causa da barreira do idioma. Callamard classificou essas pessoas como “bucha de canhão”.
Dimensão do recrutamento
A Ucrânia estimou em abril que mais de 28 mil estrangeiros de 136 países combatiam no Exército russo. O número incluiria cerca de 14 mil soldados norte-coreanos que, segundo autoridades ucranianas, lutaram contra as forças de Kiev na região russa de Kursk, em 2024.
Moscou e Kiev recrutam estrangeiros desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, há quatro anos e meio. Nenhum dos dois governos divulgou o total de combatentes estrangeiros em suas fileiras. A Anistia disse não ter conseguido contatar estrangeiros presos na Rússia porque foi classificada como “agente estrangeiro” por Moscou.
Até o momento, as autoridades russas não haviam se pronunciado publicamente sobre as acusações. A Rússia já rejeitou, em outras ocasiões, denúncias de que obrigaria estrangeiros a se alistar.
A Anistia pediu à Ucrânia e aos governos dos países afetados que apresentem provas para investigar o caso como tráfico de pessoas e processar os responsáveis. A definição das Nações Unidas inclui recrutamento, transporte ou alojamento por fraude, engano ou abuso de poder.



