A fabricante argentina de preservativos Kopelco anunciou a demissão de 60% dos funcionários e relacionou a decisão a uma queda nas vendas da marca Tulipán, uma das mais conhecidas do país. Em comunicado divulgado nas redes sociais em 18 de setembro, a empresa afirmou que enfrenta uma crise do desejo na Argentina.
A Kopelco disse ter registrado, nos últimos meses, a maior redução nas vendas de camisinhas dos últimos 40 anos. A empresa também mencionou investimentos em pesquisa, desenvolvimento, géis íntimos e brinquedos sexuais antes de apontar uma variável que, segundo o comunicado, não pode ser controlada por laboratórios.
“Já não sabemos o que fazer para que os argentinos transem”, afirmou a empresa na nota. A Kopelco também declarou que a crise afetou sua capacidade de manter a estrutura de funcionários.
Pobreza e atividade econômica
A justificativa da fabricante ocorre no mesmo período em que dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec) mostraram piora nos indicadores sociais. No primeiro semestre de 2026, a pobreza aumentou 4,1 pontos percentuais e passou a atingir 32,3% da população, o equivalente a cerca de 15,5 milhões de pessoas.
A indigência avançou 1,2 ponto e alcançou 7,5% dos habitantes, ou cerca de 3,6 milhões de pessoas. O relatório apontou ainda aproximadamente dois milhões de novos pobres no terceiro ano de mandato do governo de Javier Milei.
Entre os fatores associados à alta da pobreza, o documento citou os níveis de inflação, a perda do poder de compra, a redução do emprego formal e a retração da atividade econômica em setores estratégicos. Javier Milei é o presidente da Argentina.




