O dólar recuava 4,59%, a R$ 4,975, por volta das 9h20 desta segunda-feira (5), após o resultado do 1º turno das eleições aumentar a expectativa de alternância no comando da Presidência. Na mínima do dia, a moeda chegou a R$ 4,973, menor cotação desde abril deste ano.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa da disputa com 47,03% dos votos, à frente de Lula (PT), que teve 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25. Nunca houve uma virada do segundo colocado na corrida presidencial nessa etapa.
Parte dos investidores considera que uma eventual mudança de poder poderia levar a uma política fiscal mais sólida e reduzir a percepção de risco sobre os ativos brasileiros. Uma trajetória da dívida vista como mais controlada também poderia diminuir o prêmio exigido para financiar o governo.
Bolsa e ativos brasileiros
A avaliação sobre as contas públicas influencia a curva de juros. Quando as taxas sobem, o custo do crédito para as empresas aumenta e as projeções de lucro ficam menores, o que pode pressionar as ações.
O BTG Pactual estima que, em caso de vitória de Flávio Bolsonaro, os papéis brasileiros poderiam retornar rapidamente à média histórica dos últimos dez anos, com potencial de alta de 11% a 20%. A equipe econômica do candidato também é bem recebida pela Faria Lima, incluindo Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, e Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia na gestão de Jair Bolsonaro.
Na sexta-feira (2), último pregão antes do primeiro turno, a Bolsa subiu 2,62%, aos 192.114 pontos. O índice não alcançava esse nível desde 22 de abril, quando encerrou o pregão aos 192.889 pontos. A máxima histórica do Ibovespa foi registrada em 14 de abril deste ano, aos 198.657 pontos.
Antes da abertura da Bolsa de Nova York, os ADRs da Petrobras chegaram a avançar quase 10%. Às 6h45 (horário de Brasília), os papéis subiam 9,93%, a US$ 23,80, ante fechamento de US$ 21,65 na sexta-feira (2). No mesmo horário, o ADR da Vale avançava 6,03%, a US$ 14,59, e o da Embraer ganhava 5,72%, a US$ 79,51.
Exterior e atividade econômica
Os dados de emprego dos Estados Unidos também influenciaram os mercados. Em setembro, foram criados 29 mil postos, abaixo dos 90 mil esperados. A taxa de desemprego ficou em 4,2%, ante projeção de 4,1%, e o número de agosto foi revisado de 162 mil para 133 mil vagas.
Os números reduziram a pressão sobre o Fed para manter uma política monetária mais restritiva. Luis Ferreira, do EFG, afirmou que a possibilidade de uma nova alta de juros na próxima reunião, marcada para os dias 27 e 28 de outubro, diminuiu, embora o debate não esteja encerrado. O EFG ainda prevê aumento de 0,25 ponto percentual em dezembro.
Em Wall Street, o S&P 500 subiu 0,79%, o Dow Jones avançou 0,49% e o Nasdaq ganhou 1,19%. No mercado doméstico, a produção industrial caiu 0,6% em agosto ante julho, abaixo das expectativas. A XP projetava recuo de 0,2%, enquanto o mercado esperava alta de 0,1%.




