Ulisses Gabriel (PL), ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, foi eleito deputado estadual nas Eleições 2026, com 48.130 votos. Ele assumirá uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) a partir de fevereiro de 2027.
O delegado ganhou projeção nacional durante as investigações sobre a morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. Embora não fosse responsável direto pela apuração, publicou 40 vezes sobre o caso nas redes sociais. Os perfis oficiais da Polícia Civil fizeram sete publicações. A apuração do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) afirma que a exposição teria contribuído para o ganho de 75 mil seguidores no Instagram.
Investigação sobre a atuação do delegado
O caso da morte do cão foi arquivado por falta de provas. O MPSC, porém, pediu a condenação de Ulisses por improbidade administrativa e uma indenização que pode chegar a R$ 800 mil, sob a alegação de uso do caso para promoção pessoal.
A promotoria também pediu R$ 200 mil por dano moral coletivo e multa equivalente a até 24 vezes o salário recebido pelo delegado à época. O órgão afirma que Ulisses teria ultrapassado o dever de comunicação institucional e usado a autoridade e a visibilidade do cargo para construir uma imagem pessoal e política.
A defesa, representada pelo escritório Mathaus Agacci Advogados, afirma que demonstrou no processo “a inexistência de qualquer ato de improbidade administrativa”. Segundo os advogados, Ulisses atuou dentro da legalidade, com transparência e respeito às atribuições institucionais. A defesa aguarda o julgamento da ação e pede a improcedência dos pedidos.
Motivos para o arquivamento
Na investigação sobre a morte do animal, o MPSC analisou quase 2 mil arquivos digitais, incluindo vídeos, dados de celulares apreendidos e fotografias, além de depoimentos de adolescentes e testemunhas. O órgão apontou contradições nos relatos que indicavam uma agressão como causa dos ferimentos.
Um laudo produzido após a exumação apontou que o cão tinha uma doença óssea grave, capaz de explicar as lesões na cabeça. Para os promotores, a hipótese de morte relacionada à doença era “muito mais plausível” do que a de agressão física.
As câmeras de vigilância também não comprovaram que os jovens investigados estiveram no mesmo local que o cão nos horários indicados. A análise identificou uma diferença de 30 minutos entre os registros de duas câmeras, atribuída às condições de luminosidade solar. As imagens indicaram ainda que, quando um dos adolescentes estaria em um deck de madeira que leva à praia, Orelha estaria a cerca de 600 metros de distância, contrariando a tese de que os dois permaneceram no mesmo local por cerca de 40 minutos.



