São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Sexagem in ovo avança no Brasil enquanto descarte de pintinhos é investigado

Tecnologia pode evitar o nascimento de machos, mas custo e baixa utilização ainda limitam a adoção no país.

Sexagem in ovo avança no Brasil enquanto descarte de pintinhos é investigado

A sexagem in ovo, tecnologia que identifica o sexo do embrião antes da eclosão, ainda tem uso limitado no Brasil, enquanto uma investigação da Mercy For Animals (MFA) registrou o descarte de pintinhos machos em um incubatório de grande porte da indústria de ovos.

A primeira máquina brasileira foi instalada em julho de 2025 no incubatório da Hy-Line do Brasil, em Nova Granada, no interior de São Paulo. A Raiar Orgânicos foi o cliente-âncora do equipamento, com o compromisso de converter todo o plantel de cerca de 400 mil aves. Os primeiros ovos produzidos pelo método chegaram ao mercado em dezembro daquele ano.

Custo limita expansão

De acordo com a Innovate Animal Ag, a máquina instalada no país opera abaixo da capacidade. O método convencional custa cerca de R$ 7 por ave, enquanto o adicional da sexagem fica entre R$ 5 e R$ 10. O aumento estimado varia de aproximadamente 80% a 150% sobre o preço da ave.

Esse valor pode ser distribuído ao longo do ciclo produtivo. Uma poedeira produz cerca de 350 ovos, o que reduz o adicional a poucos centavos de real por dúzia para o consumidor, segundo o estudo.

Na União Europeia, cerca de 130 milhões de um total aproximado de 340 milhões de poedeiras eram provenientes da tecnologia em junho deste ano. Alemanha, França, Áustria e Itália aprovaram leis contra a trituração. Noruega e Suíça avançam para eliminar a prática por decisão de mercado.

Registro da investigação

A MFA informou que aproximadamente 35 mil pintinhos foram mortos em um dia na unidade investigada, cujo nome não foi divulgado. Com menos de 24 horas de vida, os machos eram separados das fêmeas e encaminhados a equipamentos com lâminas rotativas de alta velocidade.

Segundo a organização, eles não põem ovos e não têm características genéticas consideradas adequadas para a produção de carne. O material também relata que os maceradores mecânicos nem sempre provocam a morte imediatamente, o que poderia prolongar o sofrimento.

Luiza Schneider, vice-presidente de Investigações da MFA, afirmou que o trabalho não partiu de uma denúncia específica e buscou documentar uma prática representativa de quase toda a indústria. Para ela, os recém-nascidos têm capacidade de sentir medo e dor física porque o sistema nervoso já está completamente formado.

A investigação registrou ainda o descarte de fêmeas em menor número, nos casos de anomalias, deformidades, sangramentos, nascimento prematuro ou excesso em relação à demanda dos criadores.

Empresas e legislação

Planalto Ovos, Grupo Mantiqueira e Korin assumiram compromissos públicos de suspender a trituração, condicionados à existência de uma solução economicamente acessível e operacionalmente viável. Em agosto, um encontro nacional sobre sexagem in ovo reuniu empresas de tecnologia, produtores, instituições financeiras, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

O Brasil ainda não tem norma federal específica para proibir ou restringir o descarte de machos. O assunto tramita no Congresso Nacional pelos projetos de Lei 783/2024 e 3034/2026. O primeiro, apresentado por Luciene Cavalcante (PSOL-SP), passou por duas comissões da Câmara e recebeu parecer contrário na Comissão de Agricultura. O segundo, de Helóisa Helena (Rede-RJ), foi apresentado em junho e está no início da tramitação.

A MFA pretende encaminhar denúncia ao Ministério Público. A organização afirma que a Constituição Federal e a legislação ambiental podem embasar a discussão sobre crueldade e maus-tratos, mas a análise de cada caso cabe às autoridades competentes.

Pesquisa da Innovate Animal Ag com 1.553 compradores de ovos mostrou que 73% se sentem desconfortáveis com o abate de machos e 76% defendem uma alternativa. Outros 79% demonstraram interesse em comprar ovos produzidos com sexagem in ovo. Entre os entrevistados, 76% aceitariam pagar mais, com disposição média de R$ 3,87 por dúzia.

Texto produzido pela Redação Ponto do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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