SÃO PAULO — O cruzamento de notas fiscais feito pela Fazenda de São Paulo identificou 759,3 mil celulares cujos códigos IMEI não estavam registrados em nenhuma nota de compra da Trocafone, segundo o Gaeco. Para o Ministério Público, o resultado indica a entrada de aparelhos furtados ou roubados provenientes de outros grupos investigados.
A empresa foi alcançada nesta quinta-feira (10) pela operação Frankmobile, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo para investigar a logística do furto e do roubo de celulares na capital paulista. A ação também mira outras empresas ligadas à revenda de aparelhos usados.
O Gaeco afirma que a Trocafone ocupava o topo da cadeia de comercialização e concentrava o fluxo financeiro da rede investigada. Na avaliação da Promotoria, a compra e a revenda de celulares usados poderiam conferir aparência regular a produtos de origem ilícita.
A apuração inclui movimentações financeiras anteriores. Entre 2018 e 2024, a Trocafone apareceu em 18 relatórios do Coaf sobre operações suspeitas, com valores de até R$ 95,8 milhões. O Ministério Público também cita 1.299 depósitos fracionados, todos abaixo de R$ 10 mil.
Posicionamento da empresa
A Trocafone declarou que repudia a venda de aparelhos de origem ilícita e apoia o combate à prática. A empresa afirmou manter procedimentos para impedir a entrada de equipamentos irregulares, com checagens de IMEIs, separação de aparelhos e colaboração com as autoridades.
A companhia informou ter entregue a documentação solicitada e disse que analisa os documentos do caso com seus assessores jurídicos. Em seu site, afirma ter negociado 2,7 milhões de aparelhos recondicionados. A empresa também informa ter 242 mil seguidores no Instagram.
Segundo o Gaeco, um gerente de operações da Trocafone prestou depoimento em 2024 e relatou que peças de celulares de origem ilícita eram reaproveitadas no recondicionamento desde 2014.
A Justiça autorizou 84 mandados de busca e apreensão e sete prisões temporárias em São Paulo e em Goiás. Também foi permitido o sequestro e o bloqueio de mais de R$ 5 milhões dos alvos. O Ministério Público pediu ainda o bloqueio de até R$ 95,8 milhões da Trocafone e de outras empresas, além da suspensão das atividades no âmbito da Receita Federal.




