A região de Turkana, entre Quênia e Etiópia, entrou em uma etapa avançada de deformação no processo que pode levar à formação de um novo oceano na África. Dados reunidos em dois estudos de 2026 indicam que há apenas cerca de 13 quilômetros de crosta cristalina sob o eixo do rifte, uma espessura excepcionalmente fina para um continente.
A área está na fase chamada necking, ou estrangulamento. Nessa etapa, a deformação deixa de se distribuir por uma faixa ampla e passa a se concentrar em uma zona enfraquecida. O resultado é um afinamento intenso e localizado da crosta, antes de uma possível ruptura completa.
Evidências em Turkana e no Rift da África Oriental
Em abril de 2026, Christian Rowan e outros pesquisadores apresentaram o diagnóstico em um estudo na Nature Communications. A equipe combinou dados sísmicos, informações de poços e modelos geofísicos para reconstruir a estrutura interna de Turkana.
A análise mostrou uma diferença extrema entre o centro e as bordas do sistema. Segundo os pesquisadores, é a primeira identificação direta de um sistema continental ativo atravessando a fase de necking.
Outro estudo, liderado por Rasheed Ajala e disponibilizado pela Geoscience Frontiers, ampliou a análise para diferentes áreas do Rift da África Oriental. O trabalho usou um modelo detalhado de tomografia sísmica para observar estruturas profundas do continente.
O processo varia entre os segmentos do rifte. No ramo oriental, onde o vulcanismo é mais intenso, crosta e manto parecem perder espessura de forma mais homogênea. No ramo ocidental, menos vulcânico, a estrutura é mais irregular.
Possível formação de uma bacia oceânica
O Rift da África Oriental reúne segmentos em diferentes estágios de evolução. Turkana e Afar permitem observar fases que normalmente ficam registradas em continentes que se romperam milhões de anos atrás.
Se o processo continuar, partes da placa Somali poderão se afastar do restante da África. A depressão formada pela ruptura poderá, em um futuro distante, permitir a entrada de água e a criação de uma nova bacia oceânica.
Antes disso, ainda seriam necessários o afinamento extremo da crosta, a ruptura continental completa e a produção sustentada de novo assoalho oceânico. Os estudos de 2026 não estimam quando esse futuro oceano poderia surgir.



