GENEBRA — Os esforços para conter o Ebola no leste da República Democrática do Congo começaram a apresentar resultados, mas a epidemia continua de grande magnitude e deve exigir meses de trabalho, afirmaram autoridades da ONU nesta terça-feira (15/09).
Julien Harneis, coordenador especial da ONU para o Ebola, disse que há avanços em algumas áreas, enquanto outras registram aumento no número de casos. “É muito cedo para afirmar com segurança que já passamos pelo pico”, afirmou em coletiva de imprensa.
Harneis também declarou que o controle total do surto levará “muitos e muitos meses” e dependerá de apoio significativo. A avaliação ocorre após o ministro da Saúde da República Democrática do Congo, Samuel Roger Kamba, apontar sinais de melhora desde o pico registrado em meados de agosto.
Casos e vacinação
Kamba afirmou que a transmissão vem diminuindo gradualmente. Segundo ele, o país chegou a registrar cerca de 120 casos por dia e agora contabiliza aproximadamente 80. O ministro disse ainda que 10 das 62 zonas de saúde estão há mais de 22 dias sem novos casos.
Seis dessas zonas podem ser retiradas definitivamente da lista após passarem mais de 42 dias sem registros. Outras quatro podem ser removidas depois de mais de 21 dias sem um novo caso.
A República Democrática do Congo recebeu mais de 70 mil doses da vacina Ervebo no mês passado. O imunizante é o único tratamento aprovado para o vírus Ebola Zaire, descrito como o tipo mais comum.
Dados mais recentes do Ministério da Saúde congolês indicam que os casos confirmados já ultrapassam 7.200, incluindo mais de 3.475 mortes, em 14 de setembro.
O surto do vírus Bundibugyo foi declarado pelas autoridades congolesas em 15 de maio e se concentra principalmente na província de Ituri. É o segundo surto mais letal já registrado, atrás do ocorrido na África Ocidental entre 2014 e 2016.



