A NASA decidiu manter a CST-100 Starliner, da Boeing, como opção para transportar astronautas e carga até a Estação Espacial Internacional (ISS). A agência também autorizou o desenvolvimento de pelo menos mais dois lançamentos, além dos quatro já agendados.
O primeiro voo adicional está previsto para ocorrer entre dezembro de 2026 e janeiro de 2027. A missão será não tripulada e levará apenas carga, com o objetivo de avaliar as capacidades da cápsula e sua segurança para transportar astronautas. Se o teste for aprovado, três missões tripuladas serão programadas posteriormente.
A NASA havia deixado em aberto a contratação de mais duas missões no início de 2026. A decisão atual representa o exercício inicial dessa possibilidade, sem garantia de que todas as etapas serão realizadas.
Custos e cronograma
A Boeing receberá pelo menos US$ 359 milhões adicionais, valor estimado em R$ 1,86 bilhão pela cotação de 30/09/2026. Com os pagamentos anteriores, o orçamento total da Starliner chega a US$ 4,749 bilhões, ou cerca de R$ 24,57 bilhões. O custo médio é de US$ 791,5 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 4,1 bilhões por missão.
A SpaceX recebeu US$ 4,93 bilhões para desenvolver a Dragon e realizar 15 missões. O valor médio por lançamento ficou em US$ 328,7 milhões, ou cerca de R$ 1,7 bilhão.
A Starliner foi lançada pela primeira vez em 2024. Em 2026, a NASA classificou o incidente ocorrido na missão como uma Falha Classe A e apresentou 61 recomendações de modificações à Boeing. Parte das mudanças deverá ser implementada na missão Starliner-1.
A missão Starliner-2 está prevista para 2028 e será a primeira tripulada após o incidente. A NASA exige que as correções sejam concluídas antes da retomada dos voos com astronautas.
A decisão ocorre enquanto a SpaceX mantém os planos de aposentar a Dragon até 2030. A cápsula está em operação há seis anos e foi homologada pela empresa para no máximo dez anos. Caso a Starliner não esteja pronta até a aposentadoria da Dragon, a NASA poderá ficar sem uma alternativa americana adicional para o acesso à ISS.
A possibilidade de a Starliner se tornar a única plataforma disponível para a estação, excluindo as Soyuz, levantou preocupações sobre um eventual monopólio. A ESA não possui uma cápsula própria e depende de empresas americanas para esse tipo de transporte.



