O dólar fechou a terça-feira (6) em queda de 0,52%, a R$ 4,9756, abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde meados de maio. Durante a sessão, a moeda chegou à mínima de R$ 4,9456 e oscilou perto de R$ 4,98.
O fechamento foi o menor desde 12 de maio, quando o dólar terminou o pregão a R$ 4,8954. Com o resultado desta terça-feira e a queda de mais de 4% na segunda-feira (5), a moeda acumulou recuo de 4,62% nos dois últimos pregões.
No ano, o dólar acumula perdas superiores a 9% ante o real. A moeda brasileira aparece como a segunda divisa com melhor desempenho em 2026, atrás apenas do peso colombiano.
A leitura apresentada durante o pregão associou a valorização do real à expectativa de redução dos prêmios de risco diante da possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O movimento também refletiu a melhora do ambiente externo para moedas emergentes, com queda das taxas dos Treasuries e perda de força dos preços do petróleo.
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, afirmou que a apreciação do real continuou ligada à redução dos prêmios de risco embutidos no câmbio. Para ele, a perspectiva de uma reforma fiscal em um eventual governo de Flávio Bolsonaro foi o principal gatilho. Galhardo destacou que a queda expressiva do dólar na segunda-feira não interrompeu o movimento nesta terça-feira.
Norman Liebke, analista de câmbio do Commerzbank, avaliou que a intensidade da valorização do real no começo da semana foi surpreendente. Ele recomendou cautela com o otimismo inicial, considerando os obstáculos políticos à adoção de uma agenda fiscal restritiva.
No exterior, o índice DXY caía 0,31% perto do fim da tarde, aos 101,848 pontos. O indicador, porém, acumulava alta de quase 0,40% no início do mês e de mais de 3,6% no ano.



